Garantia de direitos
O que a lei diz
A organização precisa oferecer meios, como um portal de privacidade ou canais de atendimento, para que a pessoa possa pedir acesso, correção, anonimização, bloqueio, eliminação ou portabilidade dos seus dados pessoais.
- Os direitos incluem: confirmação de que há tratamento, acesso, correção, anonimização, bloqueio ou eliminação de dados desnecessários, portabilidade, eliminação dos dados tratados com consentimento, informação sobre compartilhamento, informação sobre a possibilidade de não consentir e revogação do consentimento.
- O pedido pode ser feito pela própria pessoa ou por representante.
- O atendimento deve ser gratuito.
Texto da lei
Como está publicado na Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), texto compilado, sem as redações revogadas. Consultado em 29 de setembro de 2026.
Art. 18. O titular dos dados pessoais tem direito a obter do controlador, em relação aos dados do titular por ele tratados, a qualquer momento e mediante requisição:
I - confirmação da existência de tratamento;
II - acesso aos dados;
III - correção de dados incompletos, inexatos ou desatualizados;
IV - anonimização, bloqueio ou eliminação de dados desnecessários, excessivos ou tratados em desconformidade com o disposto nesta Lei;
V - portabilidade dos dados a outro fornecedor de serviço ou produto, mediante requisição expressa, de acordo com a regulamentação da autoridade nacional, observados os segredos comercial e industrial; (Redação dada pela Lei nº 13.853, de 2019) Vigência
VI - eliminação dos dados pessoais tratados com o consentimento do titular, exceto nas hipóteses previstas no art. 16 desta Lei;
VII - informação das entidades públicas e privadas com as quais o controlador realizou uso compartilhado de dados;
VIII - informação sobre a possibilidade de não fornecer consentimento e sobre as consequências da negativa;
IX - revogação do consentimento, nos termos do § 5º do art. 8º desta Lei.
§ 1º O titular dos dados pessoais tem o direito de peticionar em relação aos seus dados contra o controlador perante a autoridade nacional.
§ 2º O titular pode opor-se a tratamento realizado com fundamento em uma das hipóteses de dispensa de consentimento, em caso de descumprimento ao disposto nesta Lei.
§ 3º Os direitos previstos neste artigo serão exercidos mediante requerimento expresso do titular ou de representante legalmente constituído, a agente de tratamento.
§ 4º Em caso de impossibilidade de adoção imediata da providência de que trata o § 3º deste artigo, o controlador enviará ao titular resposta em que poderá:
I - comunicar que não é agente de tratamento dos dados e indicar, sempre que possível, o agente; ou
II - indicar as razões de fato ou de direito que impedem a adoção imediata da providência.
§ 5º O requerimento referido no § 3º deste artigo será atendido sem custos para o titular, nos prazos e nos termos previstos em regulamento.
§ 6º O responsável deverá informar, de maneira imediata, aos agentes de tratamento com os quais tenha realizado uso compartilhado de dados a correção, a eliminação, a anonimização ou o bloqueio dos dados, para que repitam idêntico procedimento, exceto nos casos em que esta comunicação seja comprovadamente impossível ou implique esforço desproporcional. (Redação dada pela Lei nº 13.853, de 2019) Vigência
§ 7º A portabilidade dos dados pessoais a que se refere o inciso V do caput deste artigo não inclui dados que já tenham sido anonimizados pelo controlador.
§ 8º O direito a que se refere o § 1º deste artigo também poderá ser exercido perante os organismos de defesa do consumidor.
Visões por perfil
Escolha um perfil para ver o que o artigo pede de quem ocupa esse papel:
Ao determinar a arquitetura da informação, reserve um lugar fácil de encontrar para os direitos da pessoa titular: ver, corrigir, levar e apagar os próprios dados. Exercer um direito deve ser tão fácil quanto se cadastrar, e precisa funcionar também para quem não usa a internet ou usa tecnologia assistiva.
O que fazer
Crie um espaço fácil de achar, como “Meus dados” ou “Privacidade”, com cada direito como uma ação clara.
Permita ver, corrigir e baixar os dados sem abrir chamado, sempre que possível.
Ofereça também um canal para quem não usa a internet, como telefone ou atendimento presencial.
Mostre o andamento de cada pedido.
Onde pedir acesso aos dados
Uma pessoa quer saber quais dados o serviço tem sobre ela.
Errado: Direito escondido na política
Na tela
Política de privacidade (12 páginas), item 9.4: “Solicitações podem ser enviadas por ofício ao endereço da sede.”
Difícil de achar e de usar: o direito existe só no papel.
Certo: Central de privacidade na conta
Na tela
Minha conta > Meus dados: [Ver meus dados] [Corrigir] [Baixar uma cópia] [Apagar dados] — ou ligue 0800 para pedir por telefone.
Cada direito é uma ação clara, com alternativa fora da internet.
Ao criar e manter o sistema, os direitos do titular viram funcionalidades: exportar os dados em formato estruturado, corrigir, bloquear e eliminar em todos os sistemas onde o dado está, e avisar os terceiros com quem houve compartilhamento. Confirme a identidade de quem pede antes de mostrar ou alterar qualquer coisa.
O que fazer
Implemente a exportação dos dados em formato estruturado, que outro serviço consiga ler, para a portabilidade.
Crie rotinas de correção, bloqueio e eliminação que alcancem todos os sistemas onde o dado está.
Verifique a identidade de quem pede antes de mostrar ou alterar dados.
Registre cada pedido e o seu atendimento, para poder prestar contas.
Levar os dados para outro serviço (portabilidade)
A pessoa pediu uma cópia dos seus dados.
Errado: PDF com imagens da tela
// Gera um PDF com capturas das telas do perfil gerarPdf(capturasDeTela(usuario));Nenhum outro serviço consegue ler esses dados: não é portabilidade de fato.
Certo: Formato estruturado, depois de confirmar quem pede
await verificarIdentidade(pedido); const dados = await titular.exportar(usuario.id); responder(pedido, JSON.stringify(dados, null, 2), "application/json");Dados num formato que outro serviço consegue ler, entregues à pessoa certa.
Ao traduzir a lei em critérios e acompanhar a vida do produto, garanta que alguém seja dono do atendimento aos titulares: fluxo, responsáveis, prazos e canais. O atendimento deve ser gratuito e acessível a públicos diferentes, inclusive pessoas com deficiência e sem acesso à internet.
O que fazer
Defina com o encarregado o fluxo de atendimento dos pedidos, com responsáveis e prazos.
Garanta que o atendimento seja gratuito.
Planeje canais acessíveis a públicos diferentes, inclusive pessoas com deficiência e sem acesso à internet.
Acompanhe o volume de pedidos e o tempo de resposta.
Quem atende os pedidos?
Os primeiros pedidos de exclusão começam a chegar.
Errado: Pedidos perdidos no atendimento geral
Situação
“Os pedidos de exclusão chegam pelo chat de vendas e ficam sem resposta; ninguém sabe quem decide.”
Sem dono nem fluxo, os direitos não são atendidos.
Certo: Fluxo com responsável
Processo
“Os pedidos entram pelo formulário de privacidade, são triados pelo encarregado em até 2 dias úteis e distribuídos às áreas com prazo. Indicadores revisados todo mês.”
Há dono, prazo interno e acompanhamento.
Ao testar o sistema, exerça cada direito do começo ao fim com um usuário de teste: acesso, correção, portabilidade, eliminação e revogação. Relate à equipe falhas de fluxo, de acessibilidade e de segurança, como liberar dados sem confirmar a identidade de quem pede.
O que fazer
Peça acesso, correção, portabilidade e eliminação com um usuário de teste e confira o resultado.
Verifique se o canal de pedidos é encontrado em poucos passos a partir da página inicial.
Confirme que é preciso comprovar a identidade antes de acessar os dados.
Teste o canal com leitor de tela e no celular.
Pedido de acesso aos dados
Teste do formulário de acesso com os dados de outra pessoa.
Errado: Defeito: dados liberados sem confirmar a identidade
O que o teste encontrou
Informando apenas um CPF no formulário, recebi por e-mail todos os dados da pessoa dona desse CPF.
Qualquer pessoa com o CPF de outra acessa seus dados: defeito grave.
Certo: Esperado: confirmação antes de liberar
Resultado esperado
Pedido registrado; código enviado ao e-mail e ao celular cadastrados; dados liberados só depois da confirmação.
O direito é atendido para quem é, de fato, a pessoa titular.
Ao criar o conteúdo da área de privacidade e escrever as mensagens do sistema, use as palavras que a pessoa usaria para nomear cada direito. Termos como “portabilidade” e “anonimização” precisam de explicação; diga também o que acontece depois do pedido, em quanto tempo e o que a pessoa vai receber.
O que fazer
Troque “portabilidade” por algo como “Levar meus dados para outro serviço”, mantendo o termo legal entre parênteses.
Explique em uma frase o que acontece em cada pedido.
Informe os prazos e o que a pessoa vai receber.
Diga como falar com o encarregado se algo der errado.
Nome dos direitos na tela
Os botões da área “Meus dados”.
Errado: Termos da lei sem explicação
Na tela
[Portabilidade] [Anonimização] [Bloqueio] [Oposição]
Quem não conhece a lei não sabe o que cada botão faz.
Certo: Ações que a pessoa entende
Na tela
[Levar meus dados para outro serviço (portabilidade)] [Apagar dados de que vocês não precisam] [Corrigir meus dados]
Diz o que acontece, mantendo o termo legal entre parênteses.