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Ramplifica

Do site ao balcão: como fazer sua primeira inspeção com o Mapa da Comunicação

As sete telas do Mapa, do primeiro clique ao relatório. O exemplo é o mesmo serviço da carteira de identidade, agora olhado pelo que ele diz à pessoa em cada parada.

Mapa da Comunicação

· 10 min de leitura

Por Erik Henrique da Costa Nunes

O site diz que a primeira via da carteira de identidade é gratuita. No posto, a atendente diz que é segunda via e cobra a taxa. A tela do agendamento mostra “Solicitação registrada”, mas o agendamento só vale depois de um SMS que chega no dia seguinte, de um número desconhecido. Nenhuma dessas mensagens é um erro grave sozinha. Juntas, fazem a pessoa voltar para casa sem o documento.

O Mapa da Comunicação olha para isso: o que o serviço diz em cada lugar onde encontra a pessoa, e se essas mensagens conversam entre si. Neste guia, mostro cada tela, o que preencher e por que cada passo está ali. Para entender o método antes, leia Mapa da Comunicação: blueprint e inspeção semiótica.

Antes de começar

Quanto tempo
Mapear de quatro a seis pontos de contato e inspecionar cada um leva uma ou duas reuniões. Dá para parar e voltar.
O que ter em mãos
As telas, os SMS, os e-mails e as cartas que o serviço manda, de verdade. Para o atendimento presencial, o relato de quem está no balcão.
Com quem
Quem conhece os bastidores ajuda muito no mapa. Na inspeção, duas pessoas discordando de uma nota é sinal de que o sinal tem ruído.
Onde fica salvo
No seu navegador, e ninguém mais tem acesso. Para continuar em outro computador, baixe o arquivo.

Passo 1 de 7

Escolher a abordagem

O Mapa junta dois métodos. A primeira tela pergunta se você vai usar os dois ou só um deles.

Passo Abordagem do Mapa da Comunicação. Três cartões: Blueprint e inspeção semiótica, marcado e com a etiqueta Recomendado; Só o blueprint; e Só a inspeção semiótica, cada um com uma frase sobre o que faz. Abaixo, o quadro Por que juntos, que explica que o blueprint diz onde olhar e a inspeção diz o que procurar.

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  1. As três abordagens. Juntos é o indicado. Só o blueprint é mais rápido e serve para a equipe enxergar o serviço inteiro pela primeira vez. Só a inspeção serve quando o serviço já está mapeado.
  2. O que a escolha deixa de fora. O quadro muda com a abordagem e diz o que você perde ao usar um método só.

Com só o blueprint, a inspeção, a comparação e a mensagem saem do caminho, e o resultado é o mapa. Com só a inspeção, o passo 3 vira Pontos de contato, sem os bastidores nem as mudanças de canal. Dá para completar com a outra parte depois, sem perder o que foi feito.

Passo 2 de 7

Dizer qual é o serviço

Aqui você diz qual é o serviço, quem o usa e o que a pessoa quer resolver com ele.

Passo Serviço do Mapa da Comunicação. O campo Serviço público, preenchido com Carteira de identidade: agendamento on-line e emissão no posto; Órgão responsável, opcional, com Instituto de identificação do estado; Quem usa o serviço, com Qualquer pessoa que precise tirar ou renovar a carteira de identidade; e O que a pessoa quer resolver, com Conseguir a nova carteira de identidade.

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  1. O nome do serviço, como a pessoa o procuraria, e não como o órgão o chama por dentro.
  2. Quem usa o serviço. Quanto mais gente diferente, mais canais o serviço costuma precisar, e mais suposições ele faz sobre essas pessoas.
  3. O que a pessoa quer resolver, com as palavras dela. Cada mensagem vai ser julgada contra esse objetivo.

Assim

“Conseguir a nova carteira de identidade.”

Assim não

“Concluir o fluxo de agendamento do sistema.”

Passo 3 de 7

Mapear os pontos de contato

Um ponto de contato é cada lugar onde o serviço e a pessoa se encontram: uma página, um formulário, um SMS, uma fila, uma carta. Liste todos, na ordem em que acontecem. No exemplo, são seis.

O ponto 3 do passo Mapa, Receber a confirmação. Os campos Nome do ponto de contato e Canal, com SMS ou WhatsApp escolhido. Abaixo, a faixa Aqui a pessoa muda de canal: de site ou portal para SMS ou WhatsApp. Por fim, três campos lado a lado: O que a pessoa faz, O que o serviço mostra ou diz e Bastidores, o que a pessoa não vê.

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  1. O canal. Site ou portal, aplicativo, atendimento presencial, telefone, SMS ou WhatsApp, e-mail, carta ou papel.
  2. A mudança de canal. Quando o canal é diferente do ponto anterior, o Mapa marca sozinho. É nessas passagens que muita gente se perde.
  3. O que o serviço mostra ou diz. Escreva a mensagem como ela é, com as palavras da tela ou do atendente. É ela que vai ser inspecionada.
  4. Bastidores. O que acontece do lado de dentro e a pessoa não vê, como um sistema de outra empresa que manda o SMS.

Assim

“SMS de um número desconhecido: ‘Seu agendamento foi confirmado, acesse o link’.”

Assim não

“Envia confirmação.”

Inclua os avisos que chegam sem a pessoa fazer nada, como confirmações e cartas. Eles também são pontos de contato. Enquanto você preenche, a prévia monta o blueprint.

Prévia do mapa: uma tabela com um ponto de contato por coluna e as linhas O que a pessoa faz, Canal, com a marca Muda de canal nos pontos 3, 4 e 5, O que o serviço comunica e Bastidores. A linha de interação separa o que a pessoa faz do que o serviço mostra, e a linha de visibilidade separa os bastidores. Embaixo, o botão Baixar o mapa como imagem.

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  1. Abaixo da linha de visibilidade, os bastidores. Muitas falhas de comunicação nascem ali, longe da tela.
  2. Baixar o mapa como imagem, para mostrar à equipe antes de inspecionar.

Passo 4 de 7

Inspecionar o que cada ponto comunica

É o passo mais longo. Em cada ponto de contato, você avalia três tipos de sinal e, quando o canal muda, se a pessoa é avisada.

Passo Inspeção, com o ponto 3, Receber a confirmação, aberto e marcado como Não comunica. No topo, o que o serviço diz ali. Abaixo, a pergunta Mudança de canal, respondida com Em parte. Depois, O que o serviço explica, sinais metalinguísticos, com as opções Comunica bem, Com ruído, Não comunica e Não se aplica, marcado Não comunica, e o campo O que esse sinal diz à pessoa, e onde falha, preenchido com Não diz quem envia; parece golpe.

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  1. Cada ponto abre e fecha. A etiqueta mostra a pior nota do ponto, e é essa cor que ele ganha no mapa.
  2. Mudança de canal. A pessoa é avisada de que vai mudar de canal e sabe como seguir? Sim, em parte ou não.
  3. Os sinais. O que o serviço explica sobre si, o que se vê ali e como ele responde quando a pessoa age. Cada um comunica bem, com ruído, não comunica ou não se aplica.
  4. O que esse sinal diz à pessoa, e onde falha. É a parte que a equipe vai usar para corrigir.

Assim

“Não diz quem envia. Parece golpe.”

Assim não

“Mensagem ruim.”

Passo 5 de 7

Comparar as mensagens

Agora você procura onde as mensagens se desmentem: dentro do mesmo ponto e entre pontos diferentes.

Passo Comparação. No topo, Sinais desencontrados, com o ponto Agendar o atendimento: comunica bem o que o serviço explica e não comunica como o serviço responde. Abaixo, Contradições entre pontos de contato, com duas contradições. A primeira marca os pontos 1, Encontrar o serviço, e 4, Ser atendida no posto, e diz que o site promete a primeira via gratuita e o posto cobra a taxa. No fim, o botão Adicionar contradição.

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  1. Sinais desencontrados. A lista vem da inspeção: pontos em que um sinal comunica bem e outro não. A explicação promete o que a resposta não cumpre.
  2. Entre quais pontos de contato. Marque os pontos que dizem coisas diferentes.
  3. O que cada um diz. Escreva as duas versões, para quem ler entender a contradição sem abrir o serviço.
  4. Adicionar contradição. Registre uma por vez.

Passo 6 de 7

Escrever a mensagem do serviço

Somando todos os pontos, você escreve o que o serviço diz a quem o usa, como se ele falasse em primeira pessoa.

Passo Mensagem. No topo, O que os canais já supõem: site ou portal supõe internet e prática; atendimento presencial, sair em horário comercial; SMS, o mesmo número de celular; e-mail, o hábito de lê-lo. Abaixo, A mensagem do serviço, com quatro campos: Quem o serviço acha que você é, O que acha que você quer, Como acha que você prefere fazer e O que oferece. Embaixo, a citação Como fica, dita pelo serviço, que junta os quatro campos num parágrafo.

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  1. O que os canais já supõem. Só por usar esses canais, o serviço já supõe coisas sobre a pessoa. Use como ponto de partida.
  2. Os quatro campos. Quem o serviço acha que você é, o que acha que você quer, como acha que você prefere fazer e o que ele oferece. Corrija as suposições com o que a inspeção mostrou.
  3. Como fica, dita pelo serviço. O Mapa junta os campos num parágrafo. Leia em voz alta: se soar estranho, é porque o serviço foi feito para outra pessoa.

Abaixo da mensagem fica a Apreciação: o que mais pesa na comunicação deste serviço e o que mudar primeiro.

Passo 7 de 7

Ler o resultado

O resultado reúne o mapa colorido pela inspeção, os sinais que falham, as mudanças de canal, as contradições e a mensagem. No exemplo, são 6 pontos de contato, 4 mudanças de canal e 4 sinais que não comunicam.

Passo Resultado. Os botões Copiar o relatório, Imprimir e Baixar o mapa como imagem. Abaixo, cinco números: 6 pontos de contato, 4 canais, 4 mudanças de canal, 4 sinais que não comunicam e 6 sinais com ruído. Depois, O mapa, com a legenda Não comunica, Com ruído, Comunica bem e Não inspecionado, e o blueprint com a nota de cada ponto no topo da coluna.

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  1. Copiar, imprimir ou baixar. O relatório vai como texto, pronto para colar num documento da equipe. O mapa vai como imagem.
  2. O resumo em números. Os sinais que não comunicam vêm em destaque.
  3. A legenda. A cor de cada coluna é a pior nota do ponto. A palavra vem junto, então a cor não é a única pista.
Mais abaixo no resultado: Onde a mensagem não chega, com os pontos 2, 3 e 5 e o que falha em cada um, como Não diz quem envia; parece golpe. Depois, Onde há ruído, com os pontos 1, 2, 3, 4 e 6.

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  1. Onde a mensagem não chega. Comece por aqui. São os pontos em que a pessoa não entende, não percebe ou é enganada.
  2. Onde há ruído. A mensagem chega, mas com dúvida ou esforço. Vem depois.

Mais abaixo, o resultado lista as mudanças de canal com a resposta de cada uma, as mensagens que não conversam e a mensagem do serviço com a apreciação.

E depois do resultado?

  • Medir o esforço. O Mapa mostra o que o serviço diz. Para ver quanto cada etapa cobra de pessoas em situações diferentes, percorra o mesmo serviço com a Lupa do Esforço.
  • Dar base legal. Nos pontos pelo site, a Bússola da NBR 17225 diz o que a norma pede. Para os direitos de quem usa o serviço, veja a Bússola do Governo Digital.
  • Ouvir quem usa. A inspeção é feita pela equipe e antecipa problemas, mas não substitui as pessoas. Para planejar quem ouvir, use o Espelho da Participação.
  • Repetir. Depois de mudar os textos e os avisos, inspecione de novo e compare.

Erros comuns

  • Esquecer os avisos automáticos. O SMS e o e-mail que chegam sozinhos são pontos de contato, e muitas vezes os piores.
  • Resumir a mensagem. “Envia confirmação” não pode ser inspecionado. Copie o texto como ele é.
  • Avaliar com o que você sabe de dentro. Leia o sinal como quem nunca viu o serviço.
  • Um “onde falha” vago. “Confuso” não ajuda a corrigir. “O assunto ‘Notificação do sistema’ cai no spam” ajuda.

Quando o trabalho é em equipe

No site gratuito, a inspeção fica no navegador de quem preenche. Para fazer em grupo, uma pessoa compartilha a tela numa reunião, ou baixa o arquivo e passa para a próxima. Cada arquivo é uma cópia: o que duas pessoas preenchem não se junta sozinho.

Na área logada, que está em teste e por convite, a inspeção fica num projeto, na nuvem. Quando o projeto já descreve o caminho do serviço, o Mapa começa com ele preenchido. No passo Inspeção, com equipe no projeto, a coordenação escolhe um de dois jeitos:

  • Inspecionar junto. Todas as pessoas mexem na mesma inspeção e veem as notas umas das outras.
  • Inspecionar de forma independente. As pessoas escolhidas avaliam os sinais e as mudanças de canal sem ver as notas umas das outras. A comparação abre quando todas terminam: as notas iguais valem sozinhas e, nas diferentes, a coordenação escolhe. As contradições, a mensagem e a apreciação ficam com a coordenação.

As falhas do resultado viram achados do projeto, que a equipe transforma num plano de ação. Os passos da inspeção são os mesmos deste guia.

Perguntas frequentes

Preciso conhecer Engenharia Semiótica?

Não. Cada tipo de sinal tem uma pergunta simples e um botão de ajuda ao lado. O glossário do Mapa diz o nome de cada termo no método.

Serve para um serviço só presencial?

Serve. O balcão, a senha, o cartaz na parede e o papel entregue no fim são pontos de contato. Anote o que o atendente costuma dizer, com as palavras dele.

Comecei só com o blueprint. Perco o que fiz se quiser inspecionar depois?

Não. O resultado oferece completar com a outra parte, e o mapa continua lá.

A pessoa que volta do posto sem a carteira não vai saber dizer qual mensagem falhou. Ela só sabe que fez tudo o que o serviço pediu. Quando a equipe põe cada mensagem lado a lado, a falha ganha lugar, e dá para corrigir a frase certa.

No glossário

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