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Seis passos e uma conversa de equipe: como fazer seu primeiro percurso com a Lupa do Esforço

As telas da Lupa, uma por uma, do primeiro clique ao relatório. O exemplo é o agendamento da carteira de identidade, que você pode abrir na própria ferramenta e seguir junto.

Lupa do Esforço

· 8 min de leitura

Por Erik Henrique da Costa Nunes

Joa tem 55 anos, trabalha num supermercado em Maracanaú e precisa tirar a nova carteira de identidade. O agendamento é pela internet. O celular de Joa é antigo, o crédito do pré-pago acabou na semana passada, e o código do gov.br chega por SMS. Joa não vai reclamar com ninguém. Vai desistir, ou tentar de novo outro dia, ou pedir ajuda a alguém da família.

A Lupa do Esforço existe para a equipe enxergar esse tropeço antes que ele aconteça com uma pessoa de verdade. Neste guia, mostro cada tela, o que preencher em cada campo e por que cada passo está ali. Se quiser entender o método antes, leia Lupa do Esforço: onde um serviço público faz as pessoas tropeçarem.

Antes de começar

Quanto tempo
Um serviço curto, com uma lente, cabe numa reunião de equipe. Dá para parar e voltar quando quiser.
O que ter em mãos
O serviço aberto em outra aba ou, se for presencial, as anotações de quem atende no balcão.
Com quem
Dá para fazer sem companhia. Em duas ou três pessoas rende mais, porque uma enxerga o que a outra deixa passar.
Onde fica salvo
No seu navegador, e ninguém mais tem acesso. Para continuar em outro computador, baixe o arquivo.

Passo 1 de 6

Escolher as lentes

A primeira tela pergunta com que olhar você vai percorrer o serviço. Cada lente procura um tipo de exclusão.

Passo Lentes da Lupa. No topo, a caixa Dicas deste passo, fechada. Abaixo, três cartões de lente: socioeconômica, marcada, de gênero e da exclusão. Embaixo, o quadro Com 1 lente ativa, com três medidores: percepção focada, profundidade maior e tempo de análise menor.

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  1. Dicas deste passo. Todo passo tem esta caixa. Abra quando não souber o que pôr num campo. Dentro dela, o link Como preencher este passo traz você de volta a este guia.
  2. As lentes. A socioeconômica olha renda, internet, letramento e medo de golpe. A de gênero olha jeitos de lidar com tecnologia. A da exclusão olha o corpo, os sentidos e o contexto de uso, com base na NBR 17060.
  3. O que você ganha e o que perde. Cada lente a mais mostra mais tipos de barreira, mas divide a atenção e leva mais tempo. O quadro muda conforme você marca.

Passo 2 de 6

Dizer qual é o serviço

Aqui você descreve o serviço e, principalmente, o que a pessoa quer conseguir com ele.

Passo Serviço da Lupa. Três opções de como o serviço é oferecido, com Híbrido marcado. Abaixo, o campo Serviço público preenchido com Carteira de Identidade Nacional, agendamento pelo portal do estado e emissão no posto, e o campo O que a pessoa quer resolver, preenchido com Conseguir a nova carteira de identidade.

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  1. Como o serviço é oferecido. Digital, presencial ou híbrido. No híbrido, o passo seguinte pergunta, em cada ação, se ela acontece pela internet ou fora dela.
  2. O nome do serviço, como as pessoas o conhecem, e não o nome do sistema.
  3. O que a pessoa quer resolver, com as palavras dela.

Assim

“Conseguir a nova carteira de identidade.”

Assim não

“Realizar o agendamento no sistema.”

Passo 3 de 6

Desenhar o caminho

Agora você divide o serviço em etapas e cada etapa em ações. No exemplo, são três etapas e nove ações.

Passo Caminho da Lupa. A etapa 1, Entrar com a conta gov.br, com três ações: tocar em Entrar com gov.br, digitar CPF e senha e digitar o código de verificação enviado por SMS. Cada ação tem a opção Pela internet ou Fora da internet e botões para subir, descer e apagar. No fim, o botão Adicionar ação.

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  1. A etapa é uma parte do objetivo que a pessoa reconheceria, como “Entrar com a conta gov.br”.
  2. A ação é uma coisa só, começando por um verbo: tocar, digitar, entregar.
  3. Onde acontece. Só aparece em serviço híbrido: pela internet ou fora dela.
  4. Adicionar ação. As setas mudam a ordem e a lixeira apaga.

Descreva o caminho certo, do jeito que o serviço espera que a pessoa faça. Os tropeços aparecem no passo 5.

Passo 4 de 6

Escolher quem percorre

Com as lentes socioeconômica e de gênero, quem percorre o serviço são três personas brasileiras: Joa, Fran e Fê. Elas representam situações de vida diferentes. Não são pessoas reais nem estereótipos.

Passo Personas da Lupa. Três cartões lado a lado: Joa, 55 anos, de Maracanaú; Fran, 43 anos, de Campina Grande; e Fê, 30 anos, do Recife. Cada cartão tem a caixa Incluir marcada, a escolha do nome neutro, masculino ou feminino, um resumo da vida e da tecnologia da persona e a lista de características, como Acesso a tecnologia confiável: Conexão instável.

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  1. Incluir. Escolha quem entra no percurso. Com pouco tempo, fique só com Joa: é quem costuma esbarrar em mais barreiras.
  2. O nome. Neutro, masculino ou feminino. As características não mudam com o nome.
  3. As características. Onde a persona está em cada uma, em palavras: “Conexão instável”, “Duvida de si”. Toque para ver o que isso muda na vida dela.

Com a lente da exclusão, este passo vira Cenários de uso: em vez de personas, você escolhe necessidades como “sem visão” ou “manipulação limitada”, e diz se cada uma é permanente (uma pessoa cega), temporária (o braço engessado) ou situacional (sol forte na tela).

Passo 5 de 6

Avaliar cada ação

É o passo mais longo, e o que mais importa. A Lupa mostra uma ação por vez e faz as mesmas perguntas para cada persona.

Passo Avaliação da Lupa, na ação 1.3, digitar o código de verificação enviado por SMS, avaliando com Joa. À esquerda, a troca de persona entre Joa, com 13 barreiras, Fran, com 6, e Fê, com 3, e as características de Joa. À direita, a pergunta Joa vai saber o que fazer e realizar esta ação, respondida com Talvez, três características marcadas e o campo Por quê preenchido.

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  1. Troque de persona sem sair da ação. O número ao lado mostra quantas barreiras cada uma já encontrou.
  2. Sim, Talvez ou Não. Sim: segue sem problema. Talvez: pode travar. Não: trava ou desiste. Talvez e Não contam como barreira.
  3. As características que explicam a resposta. Marque as que pesam. No exemplo, conexão, medo de arriscar e preocupação com segurança.
  4. Por quê. Diga o que, na tela ou no atendimento, causa o problema: “Se o crédito acabou, o SMS pode não chegar. E pedir um código por mensagem lembra os golpes de que tem medo.”

As perguntas seguem o percurso cognitivo. Na etapa, a pessoa vai perceber que precisa passar por ela? Antes de cada ação, vai saber o que fazer? Depois da ação, vai perceber que deu certo?

Parte de baixo da mesma ação. A pergunta Que esforço esta ação cobra de Joa, com Aprender e Peso emocional marcados. Abaixo, o campo O que na tela ajudou ou confundiu Joa e os botões Ação anterior e Próxima ação.

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  1. O esforço da ação. Aprender (descobrir regras e termos), cumprir exigências (tempo, dinheiro, documentos) e peso emocional (medo, vergonha, desconfiança). Ou nenhum além do esperado.
  2. Próxima ação. Quando terminar a última, a Lupa leva ao resultado. Quem prefere ver todas as ações numa página só usa “Ver tudo”.

Passo 6 de 6

Ler o resultado

O resultado mostra onde cada persona tropeça, que esforço o serviço cobra e o que explica as barreiras. No exemplo, Joa encontra 13 barreiras, Fran 6 e Fê 3. A etapa de escolher o posto e o horário trava as três.

Passo Resultado da Lupa. Os botões Copiar o relatório e Imprimir. Abaixo, a tabela Situação de cada etapa por persona, com colunas Joa, Fran e Fê. Na etapa 1, Entrar com a conta gov.br, Joa tem Barreira e as outras duas, Sem barreira. Na etapa 2, Escolher o posto e o horário, Joa e Fran têm Barreira e Fê, Possível barreira.

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  1. Copiar o relatório. Vai como texto, pronto para colar num e-mail ou num documento da equipe.
  2. A situação de cada etapa, por persona. Vale a pior resposta da etapa e de todas as suas ações.

Para ler sem se perder:

  1. Comece pelas barreiras com “Não”. São os pontos em que alguém desiste.
  2. Veja que características se repetem. Elas indicam o tipo de mudança: linguagem mais simples, uma alternativa sem internet, um retorno mais claro na tela.
  3. Compare as personas na tabela de esforço. O que pesa muito para Joa e pouco para Fê mostra onde o serviço é desigual.

E depois do resultado?

  • Corrigir. Com a lente da exclusão, cada necessidade leva aos requisitos da Bússola da NBR 17060, que diz o que a norma pede.
  • Ouvir quem usa. A Lupa é uma inspeção feita pela equipe. Ela antecipa barreiras, mas não substitui as pessoas. Para planejar quem ouvir e como, use o Espelho da Participação.
  • Repetir. Depois das mudanças, faça o mesmo percurso de novo e compare.

Erros comuns

  • Responder como você. Volte às características da persona antes de cada resposta.
  • Ações grandes demais. “Fazer o agendamento” vira três ou quatro ações.
  • Um “por quê” vago. “É confuso” não ajuda ninguém a corrigir. “O botão diz ‘Autenticar’ e Joa não sabe que é para entrar” ajuda.
  • Três lentes na primeira vez. Uma lente bem aplicada rende mais do que três às pressas.

Quando o trabalho é em equipe

No site gratuito, o percurso fica no navegador de quem preenche. Para fazer em grupo, o jeito é uma pessoa compartilhar a tela numa reunião, ou baixar o arquivo e passar para a próxima. Cada arquivo é uma cópia: as respostas de duas pessoas não se juntam sozinhas.

Na área logada, que está em teste e por convite, o percurso fica num projeto, na nuvem, e a equipe trabalha nele junta. No passo Avaliação, a coordenação escolhe um de dois jeitos:

  • Dividir as personas. A coordenação diz quem responde por cada persona. Cada pessoa vê nas perguntas só as personas dela, e as respostas aparecem juntas no resultado.
  • Responder de forma independente. As pessoas escolhidas respondem tudo sem ver as respostas umas das outras. A comparação abre quando todas terminam: as respostas iguais valem sozinhas e, nas diferentes, a coordenação escolhe.

As barreiras do resultado viram achados do projeto, que a equipe transforma num plano de ação. Os passos do percurso são os mesmos deste guia.

Perguntas frequentes

Preciso fazer tudo de uma vez?

Não. O percurso fica salvo no navegador e você continua de onde parou. Para continuar em outro computador, baixe o arquivo no primeiro passo e abra lá.

Preciso conhecer o SESMag ou o GenderMag?

Não. A Lupa explica cada característica e cada pergunta enquanto você avalia. O glossário da Lupa diz o nome original de cada termo nos métodos.

Serve para um serviço que ainda não existe?

Serve. Um protótipo ou o fluxo desenhado no papel já basta para descrever o caminho, e é a hora mais barata de achar uma barreira.

Ninguém deveria perder um dia de trabalho por causa de um SMS que não chegou. Quando a equipe percorre o serviço no lugar de Joa, esse custo deixa de ser invisível e passa a ter nome, lugar e conserto.

No glossário

Percorra um serviço com a Lupa

Carregue o exemplo da carteira de identidade para ver como fica, ou comece o seu.

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