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Antes das telas, a conversa: como desenhar seu primeiro Mapa da Conversa

As cinco etapas do Mapa da Conversa, do contexto ao diagrama. O exemplo é um agendamento curto, que você pode abrir na ferramenta e seguir junto.

Mapa da Conversa

· 7 min de leitura

Por Erik Henrique da Costa Nunes

A pessoa escolhe um horário, toca em confirmar e, nesse meio-tempo, alguém pegou a mesma vaga. O que o sistema diz agora? Em muitos serviços, ninguém pensou nisso antes de desenhar as telas. A resposta aparece depois, num erro genérico que deixa a pessoa sem saber se agendou ou não.

O Mapa da Conversa desenha a interação como uma conversa entre quem usa e o sistema, antes das telas. Ele usa a MoLIC, de Barbosa e Paula, uma linguagem da Engenharia Semiótica. Neste guia, mostro cada etapa, o que preencher e por que ela existe. Se o serviço já existe e você quer inspecionar o que ele comunica, o caminho é o Mapa da Comunicação.

Antes de começar

Quanto tempo
Um fluxo curto, com três ou quatro cenas, cabe numa reunião. Um serviço inteiro pede mais de uma.
O que ter em mãos
O que a pessoa quer fazer e o que o sistema precisa conferir no caminho. Telas não são necessárias, e é melhor começar sem elas.
Com quem
Design, conteúdo e desenvolvimento juntos rendem mais: as falas do sistema viram os textos da tela, e os processos viram o que o código faz.
Onde fica salvo
No seu navegador, e ninguém mais tem acesso. Para continuar em outro computador, baixe o arquivo.

Etapa 1 de 5

Dizer o contexto

A primeira etapa pergunta o que você vai desenhar: o serviço, o que a pessoa quer fazer nele e quem usa.

Etapa Contexto do Mapa da Conversa. Três campos preenchidos: Serviço, com Agendamento de atendimento; O que a pessoa quer fazer, com Marcar um horário no posto para tirar um documento; e Quem usa, com Qualquer pessoa que precise do documento, muitas pelo celular.

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  1. O serviço, pelo nome que as pessoas usam.
  2. O que a pessoa quer fazer, com as palavras dela. A conversa inteira existe para chegar aqui.
  3. Quem usa. Quem são as pessoas, de onde usam e o que já sabem. Isso pesa na etapa 4.

Assim

“Marcar um horário no posto para tirar um documento.”

Assim não

“Utilizar o módulo de agendamento.”

Etapa 2 de 5

Listar as cenas e os processos

Uma cena é um assunto da conversa, em que a pessoa vê, decide e responde. Costuma ser uma tela ou um passo. Um processo é o que o sistema faz por dentro, sem a pessoa ver: conferir, calcular, gravar. A ordem da lista é a ordem do diagrama.

Etapa Cenas, com o título 4 cenas e processos. Cartões em ordem: Cena 1, Escolher o serviço, com os diálogos e o que aparece; Cena 2, Escolher dia e horário; Processo 1, Conferir a vaga, com borda tracejada; e Cena 3, Ver a confirmação. Cada cartão diz quantas falas estão ligadas a ele e tem os botões Editar, Subir, Descer e Apagar.

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  1. Uma cena, com os diálogos e o que aparece para a pessoa. Embaixo, quantas falas chegam ou saem dela.
  2. Um processo do sistema, com borda tracejada. Só tem o nome: dele, só o sistema fala.

No fim da lista, Acrescentar uma cena ou um processo abre o formulário. Editar abre o mesmo formulário com o que já está escrito.

Formulário Editar Cena 2: Escolher dia e horário. A escolha O que é, entre Cena e Processo do sistema, com Cena marcada. Os campos Assunto da cena, com Escolher dia e horário; O que se conversa na cena, com ver os dias livres; escolher o dia; escolher o horário; e O que aparece para a pessoa, com calendário, lista de horários, endereço do posto. Embaixo, os botões Guardar e Cancelar.

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  1. Cena ou processo. Num processo, o formulário pede só o que o sistema faz.
  2. O assunto, com um verbo e o que a pessoa resolve ali.
  3. O que se conversa, separado por ponto e vírgula. São os diálogos da cena.
  4. O que aparece para a pessoa: textos, campos, botões, imagens.

Assim

Assunto: “Escolher dia e horário”.

Assim não

Assunto: “Tela 2”.

Etapa 3 de 5

Escrever as falas

As falas levam a conversa de um lugar a outro. Quando a fala sai de uma cena, quem fala é a pessoa (p:). Quando sai de um processo, é o sistema (s:). A lista agrupa as falas por onde elas saem.

Parte da lista de falas, no grupo De Processo 1: Conferir a vaga. A fala 4, para a Cena 3, diz s: agendado; este é o seu protocolo, com a condição Quando: se a vaga estiver livre. A fala 5, para a Cena 2, marcada como recuperação de ruptura e com borda tracejada, diz s: esse horário acabou de ser ocupado; escolha outro, com a condição Quando: se a vaga foi ocupada.

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  1. O que se diz. Começa com p: ou s:, conforme quem fala.
  2. Quando vale. A condição da fala, quando há mais de um caminho.
  3. Recuperação de ruptura. A fala que traz a conversa de volta quando algo dá errado. Aparece tracejada.

Acima da lista, o quadro O que conferir aponta os furos mais comuns: nenhuma fala sai da abertura, nenhuma chega ao encerramento, uma cena sem saída, um processo sem fala de recuperação. No exemplo, não há nada a conferir.

Formulário Editar a fala 5. Os campos De onde sai, com Processo 1: Conferir a vaga, e Para onde vai, com Cena 2: Escolher dia e horário. A frase Quem fala: o sistema, porque sai de um processo. Os campos O que se diz, com esse horário acabou de ser ocupado; escolha outro, e Quando vale, com se a vaga foi ocupada. A caixa Fala de recuperação de ruptura, marcada. Embaixo, os botões Guardar a fala e Cancelar.

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  1. De onde sai e para onde vai. Além das cenas e processos, a fala pode sair da abertura ou do acesso ubíquo (o que dá para fazer de qualquer cena, como voltar ao início) e ir para o encerramento.
  2. O que se diz, com as palavras de quem fala. A ferramenta diz quem fala, pela origem.
  3. Quando vale, se quiser.
  4. Fala de recuperação de ruptura. Marque quando ela trata um erro, uma vaga ocupada ou a pessoa que desiste.

Assim

“s: esse horário acabou de ser ocupado; escolha outro”

Assim não

“s: erro ao processar a solicitação”

Etapa 4 de 5

Dizer quem fica de fora

Uma conversa que funciona para a maioria pode deixar alguém de fora. Em cada cena, diga quem pode ficar de fora e qual é o caminho alternativo.

Etapa Quem fica de fora, na Cena 2: Escolher dia e horário. Abaixo dos diálogos, a linha Pode ficar de fora: Joa, Quem não vê ou vê pouco. A lista Quem pode ficar de fora nesta cena, aberta, com as caixas de Pessoas e situações: as personas Joa, Fran e Fê e cenários como Quem não vê ou vê pouco e Quem tem pouco uso das mãos, com Joa e Quem não vê ou vê pouco marcadas, e o campo Outro grupo. Embaixo, o campo Caminho alternativo, preenchido.

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  1. Quem pode ficar de fora nesta cena. Abre a lista. O número diz quantos estão marcados.
  2. Pessoas e situações. As personas da Lupa do Esforço e os cenários da lente da exclusão. Em Outro grupo, escreva quem mais: quem não tem conta gov.br, quem fala outra língua.
  3. Caminho alternativo. Como essas pessoas resolvem o mesmo assunto: outro canal, ajuda de alguém, uma versão mais simples.

Assim

“Agendar pelo telefone 156 ou no balcão do posto, com o mesmo horário da agenda on-line.”

Assim não

“Procurar atendimento.”

Etapa 5 de 5

Ler o diagrama

A última etapa desenha a conversa e a escreve de dois jeitos: em lista e em texto corrido.

Etapa Diagrama. A legenda diz: bolinha cheia, abertura; bolinha com anel, encerramento; caixa branca, cena; caixa preta, processo do sistema; caixa cinza, acesso ubíquo; linha tracejada, fala de recuperação de ruptura. Abaixo, o diagrama do exemplo: da abertura e do acesso ubíquo para Escolher o serviço, depois Escolher dia e horário, o processo Conferir a vaga, com a linha tracejada de volta, e Ver a confirmação.

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  1. O diagrama. Os textos longos aparecem cortados. Embaixo dele, os botões baixam o diagrama em .svg e as falas em .csv.

Logo abaixo, a Versão em lista traz cada cena com as falas que saem dela, por inteiro, e quem pode ficar de fora.

A seção Descrição em texto, com a conversa inteira escrita: o serviço, o objetivo, quem usa e cada cena com os diálogos, o que aparece, quem pode ficar de fora, o caminho alternativo e as falas. Embaixo, os botões Copiar a descrição e Baixar em texto. Depois, um quadro da Régua dos Textos: legibilidade 42, difícil, 1 ponto de atenção.

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  1. Copiar a descrição. Para colar na documentação, junto do diagrama. É também o que lê quem usa leitor de tela. O que está entre colchetes falta escrever.
  2. A Régua dos Textos. Mede as falas do sistema. Um link abre essas falas na Régua, para ver o que simplificar.

E depois do diagrama?

  • Simplificar as falas. Abra as falas do sistema na Régua dos Textos e reescreva o que ficou difícil.
  • Desenhar as telas. Com a conversa pronta, a Régua das Telas ajuda a anotar foco, títulos, regiões e nomes sobre a imagem de cada tela.
  • Avaliar quando ficar pronto. Com o serviço no ar, a Lupa das Boas Práticas e o Mapa da Comunicação olham o que ele faz e diz de verdade.

Erros comuns

  • Desenhar telas em vez de assuntos. “Tela 2” não diz nada. “Escolher dia e horário” diz o que se conversa.
  • Esquecer a recuperação. Todo processo que confere algo pode dar errado. Escreva o que o sistema diz quando dá.
  • Falas na linguagem do sistema. “Erro ao processar” vira um texto de tela que ninguém entende.
  • Deixar a etapa 4 vazia. Se ninguém fica de fora em nenhuma cena, vale olhar de novo quem usa.

Quando o trabalho é em equipe

O Mapa da Conversa ainda não está na área logada. Hoje, o desenho fica no navegador de quem preenche. Para fazer em grupo, uma pessoa compartilha a tela numa reunião, ou baixa o arquivo e passa para a próxima, que abre na etapa Contexto. Cada arquivo é uma cópia: o que duas pessoas mudam não se junta sozinho.

Para levar o resultado à equipe sem o arquivo, copie a descrição em texto ou baixe o diagrama e as falas.

Perguntas frequentes

Preciso conhecer a MoLIC?

Não. Cada campo diz o que pôr, com um exemplo, e a legenda do diagrama explica cada forma. A página Como funciona conta de onde vem o método.

Qual a diferença para o Mapa da Comunicação?

O Mapa da Conversa desenha a conversa de um serviço que ainda vai ser feito, ou que vai mudar. O Mapa da Comunicação inspeciona o que um serviço que já existe comunica em cada ponto de contato.

Serve para atendimento por telefone ou chat?

Serve. Uma conversa por telefone também tem assuntos, falas e momentos em que dá errado. As cenas viram os assuntos da ligação.

A vaga que alguém pegou no meio do caminho vai acontecer. A diferença está em o sistema saber o que dizer quando ela acontece. Desenhar a conversa antes é o jeito de essa frase existir antes da primeira pessoa precisar dela.

Desenhe a conversa do seu serviço

Comece com o exemplo do agendamento para ver como as cenas e as falas se encaixam, ou desenhe a sua.

Desenhar a conversa