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Ramplifica

Glossário

Os termos da Lupa do Esforço em linguagem simples, organizados em 9 seções.

Inclusão socioeconômica

Por que a situação de vida de uma pessoa muda o que ela consegue fazer num serviço.

Situação socioeconômica
As condições de vida de uma pessoa: renda, escolaridade, trabalho, tempo livre e acesso a tecnologia. Elas mudam o que alguém consegue fazer num serviço, e com quanto esforço.
Inclusão socioeconômica
Desenhar serviços que funcionem também para quem tem menos renda, menos anos de estudo, menos tempo ou pior acesso à internet, e não só para quem já tem tudo isso.

O método

As ideias por trás da Lupa do Esforço.

Percurso cognitivo
Jeito de avaliar um serviço sem precisar de usuários reais: a equipe percorre o caminho passo a passo, no lugar de uma pessoa, e pergunta se ela conseguiria seguir.
Em inglês, cognitive walkthrough.
SESMag
Método de inspeção feito para encontrar barreiras de inclusão socioeconômica em software, com personas e características. É a base da lente socioeconômica.
O nome vem de uma “lupa” (magnifier, em inglês) da inclusão socioeconômica.
GenderMag
Método do mesmo grupo de pesquisa, voltado a barreiras ligadas a jeitos de usar tecnologia que costumam variar entre gêneros. É a base da lente de gênero.
Suas personas originais são Abi, Pat e Tim; na Lupa, elas ocupam as posições de Joa, Fran e Fê.
Persona
Pessoa fictícia que representa uma situação de vida. Não é uma pessoa real nem um estereótipo: serve para a equipe sair do próprio ponto de vista, que costuma ser o de quem já sabe usar.
Característica
Um jeito de lidar com tecnologia e com serviços que ajuda a explicar por que alguém tropeça, como o acesso à internet ou a confiança para tentar sozinha.
No SESMag e no GenderMag, chamada de faceta.
Nível
Onde a persona está em cada característica, dito em palavras: “Duvida de si”, “Confia com ressalvas” ou “Confia em si”. Joa fica numa ponta, Fê na outra e Fran no meio. Nas características da lente socioeconômica as pontas são mais e menos; nas de estilo da lente de gênero, cada ponta é um jeito.

Lentes

Como a Lupa combina olhares diferentes sobre o mesmo serviço.

Lente
Um jeito de olhar o serviço, com as suas próprias perguntas sobre quem pode ficar de fora. Todas as lentes usam o mesmo caminho, as mesmas perguntas e o mesmo olhar para o esforço; o que muda é quem percorre o serviço e os motivos dos tropeços.
Lente socioeconômica
Olha para renda, acesso à internet e a aparelhos, letramento, confiança com tecnologia, medo de golpes e a relação com a autoridade. Percorre o serviço com as personas.
Adapta o SESMag.
Lente de gênero
Olha para jeitos de lidar com tecnologia que costumam variar entre os gêneros: por que a pessoa usa, como busca informação, como aprende, a confiança e a atitude diante de riscos. Não fala do gênero da persona, e sim de estilos que um serviço pode favorecer ou deixar de fora.
Adapta o GenderMag.
Lente da exclusão
Olha para o corpo, os sentidos e o contexto de uso: percorre o serviço com cenários de uso, com necessidades permanentes, temporárias ou situacionais. Sozinha, põe o cenário no lugar da persona; com outra lente, uma persona vive o cenário.
Usa o desempenho funcional da ABNT NBR 17060.
Combinação de lentes
Usar mais de uma lente no mesmo percurso. Quanto mais lentes ativas, maior a capacidade de percepção: o percurso enxerga mais tipos de barreira. Em troca, cada resposta divide a atenção entre mais motivos, a análise pode perder profundidade e leva mais tempo.
Percepção
Quantos tipos de barreira o percurso consegue ver. Cresce com cada lente ativa.
Profundidade
Quanta atenção cada olhar recebe em cada resposta. Com muitas lentes ao mesmo tempo, é mais fácil passar rápido por um motivo importante.
Motivo
O que explica um tropeço na avaliação: uma característica da persona, uma necessidade de uso ou uma parte do contexto, conforme as lentes ativas.

O caminho

Como o serviço avaliado é descrito.

Cenário
O serviço que vai ser avaliado, como ele é oferecido e o que a pessoa quer resolver com ele.
Objetivo
O que a pessoa quer resolver, com as palavras dela, como “Conseguir a nova carteira de identidade”. É o ponto de chegada de todo o percurso.
No SESMag, chamado de objetivo geral.
Etapa
Uma parte do caminho que a pessoa reconheceria, como “Escolher o posto e o horário”. Costuma reunir de 1 a 5 ações.
No SESMag, chamada de subobjetivo.
Ação
O que a pessoa faz de fato, uma coisa por vez: tocar num botão, digitar o CPF, entregar um documento no balcão.
Serviço digital
Feito todo pela internet: site, aplicativo ou WhatsApp.
Serviço presencial
Feito fora da internet: no balcão, num posto, por telefone ou em papel.
Serviço híbrido
Uma parte pela internet e outra fora dela, como agendar on-line e ser atendido no posto. Na Lupa, cada ação diz onde acontece.

A avaliação

Em cada etapa e ação, a equipe responde Sim, Talvez ou Não, no lugar da persona.

Barreira
Um ponto em que a persona trava ou desiste. Aparece quando a resposta a uma pergunta é Não.
Possível barreira
Um ponto em que a persona pode travar. Aparece quando a resposta a uma pergunta é Talvez.
Pergunta da etapa
A pessoa vai perceber que precisa passar por esta etapa? Se não perceber, ela nem começa.
Pergunta antes da ação
A pessoa vai saber o que fazer e realizar a ação? Verifica se ela encontra e entende o botão, o campo, o guichê ou o documento.
Pergunta depois da ação
Se fizer a coisa certa, a pessoa vai perceber que acertou? Sem um retorno claro, ela repete, desiste ou acha que errou.
Observado
O detalhe concreto que ajudou ou confundiu: o texto de um botão, um aviso que faltou, uma placa, a fala da equipe. Ajuda a saber o que mudar.

Esforço

Mesmo quando consegue, a pessoa paga um preço para usar o serviço. Na gestão pública, esse preço se chama fardo administrativo, e costuma ser dividido em três partes.

Fardo administrativo
O esforço que um serviço transfere para quem o usa. Não é culpa da pessoa: vem de como o serviço foi desenhado, e pesa mais para quem tem menos tempo, dinheiro ou informação.
Também chamado de custo administrativo.
Aprender
Descobrir que o serviço existe, as regras, os direitos, os termos e como fazer.
Na literatura, custo de aprendizagem.
Cumprir exigências
Gastar tempo, dinheiro ou deslocamento, juntar documentos, esperar ou repetir informações.
Na literatura, custo de cumprimento.
Peso emocional
Sentir medo, vergonha, estresse ou desconfiança, ou a sensação de estar sendo vigiado ao pedir algo.
Na literatura, custo psicológico.

Características da lente socioeconômica

As seis características da lente socioeconômica. Cada persona tem um nível em cada uma delas.

Acesso a tecnologia confiável
Ter aparelho, internet e crédito que funcionam quando é preciso. Com acesso baixo, a conexão cai, o pacote acaba e arquivos pesados não abrem.
Autoeficácia com tecnologia
Confiança na própria capacidade de usar tecnologia, inclusive em tarefas novas. Com autoeficácia baixa, a pessoa tende a se culpar quando algo dá errado e a desistir.
Também é característica da lente de gênero.
Disposição para correr riscos com tecnologia
Vontade de experimentar recursos novos sem medo de errar. Com disposição baixa, a pessoa prefere o caminho conhecido.
Também é característica da lente de gênero, que a chama de atitude diante de riscos.
Preocupação com privacidade e segurança
Receio de golpes e de expor dados pessoais. Com preocupação alta, pedidos de dados e de códigos geram desconfiança.
Percepção de controle diante da autoridade
Sentir-se no direito de questionar o que o sistema ou o órgão diz. Com percepção baixa, a pessoa aceita um “indeferido” sem recorrer.
Letramento, educação e cultura de comunicação
Familiaridade com a linguagem escrita e com os termos do serviço. Com letramento baixo, frases longas, siglas e “burocratês” viram barreira.

Características da lente de gênero

As cinco características do GenderMag. Três são jeitos, e não níveis; autoeficácia e disposição para riscos são compartilhadas com a lente socioeconômica.

Motivação para usar tecnologia
Por que a pessoa usa tecnologia. Numa ponta, para resolver a tarefa, sem vontade de gastar tempo com recursos que não levam ao objetivo; na outra, pelo gosto pela tecnologia e por descobrir como as coisas funcionam.
No GenderMag, motivations.
Jeito de buscar informação
Abrangente: lê e junta as informações antes de agir. Seletivo: age na primeira pista promissora e volta atrás se precisar. Serviços que escondem informação atrapalham quem é abrangente; os que exigem ler tudo, quem é seletivo.
No GenderMag, information processing style.
Jeito de aprender
Passo a passo: prefere um processo claro e não toca em opções só para ver o que acontece. Explorando: aprende testando, com cuidado ou livremente. Um serviço que só se aprende explorando deixa de fora quem aprende passo a passo.
No GenderMag, learning: by process vs. by tinkering.
Atitude diante de riscos
O mesmo que disposição para correr riscos com tecnologia: quem evita riscos prefere não usar um recurso que pode dar errado ou fazer perder tempo.
No GenderMag, attitude toward risk.

Cenários de uso

Os termos da lente da exclusão, que percorre o serviço com cenários de uso.

Cenário de uso
Uma pessoa num momento concreto: com que necessidades de uso, onde está, com que aparelho e com que conexão. Com a lente da exclusão sozinha, quem vive o cenário ganha um nome fictício; combinada com outra lente, é uma das personas.
Necessidade de uso
O que a pessoa consegue fazer com o corpo e os sentidos naquele momento: ver, distinguir cores, ouvir, falar, usar as mãos, alcançar, entender, lidar com luz piscante.
Na ABNT NBR 17060, desempenho funcional.
Permanente, temporária ou situacional
A origem da necessidade. Permanente: faz parte da vida da pessoa, como ser cega ou surda. Temporária: dura um tempo, como um braço engessado. Situacional: vem do momento, como sol na tela, barulho ou uma mão ocupada.
Contexto de uso
As condições em volta da pessoa: o lugar, o aparelho, a conexão e o que está acontecendo. O contexto também exclui: a tela que funciona em casa pode falhar no ônibus.