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Quem decide com você? O Espelho da Participação, passo a passo

As telas do Espelho, uma por uma, do momento do projeto à matriz da participação. O exemplo é o plano de um aplicativo de agendamento de consultas, que você pode abrir na ferramenta e seguir junto.

Espelho da Participação

· 11 min de leitura

Por Erik Henrique da Costa Nunes

Uma unidade de saúde vai lançar um aplicativo para agendar consultas. Quem mais usa a unidade são pessoas idosas, muitas com baixa renda, algumas cegas ou surdas. A equipe tem pouco tempo e pensa em ouvir as filhas e os filhos que agendam pelos pais, a equipe do balcão e um grupo de estudantes com óculos que simulam baixa visão. Parece participação. Mas quem, nesse plano, vai de fato decidir alguma coisa?

O Espelho da Participação não dá nota ao projeto. Ele mostra onde o plano vai ouvir as pessoas e onde vai decidir por elas, enquanto ainda dá para mudar. Neste guia, mostro cada tela, o que responder e por que cada passo está ali. Para entender o método antes, leia Espelho da Participação: planejar e avaliar quem participa.

Antes de começar

Quanto tempo
Um plano com quatro ou cinco grupos leva de meia hora a uma hora. Cada foco a mais acrescenta um passo.
O que ter em mãos
O cronograma ou o processo que a equipe segue e a lista de quem a equipe pensa em chamar. Se o projeto já aconteceu, os registros de quem participou.
Com quem
Com quem coordena o projeto e com quem vai recrutar e conduzir as sessões. São essas pessoas que sabem o que é possível mudar.
Onde fica salvo
No seu navegador, e ninguém mais tem acesso. Para continuar em outro computador, baixe o arquivo no primeiro passo.

Passo 1 de 7

Escolher o momento e os focos

A primeira tela pergunta em que momento está o projeto e o que você quer olhar. Todas as perguntas seguintes mudam conforme essas duas escolhas.

Passo Foco do Espelho da Participação. No alto, a pergunta Em que momento está o projeto, com Vou planejar a participação marcado e Quero olhar o que já aconteceu ao lado. Abaixo, O que você quer planejar: Participação nas etapas, sempre incluída, e os focos Pessoas que falaram por outras e Cuidados com quem participou, marcados, e Amostra e rigor e Ética e comunicação da pesquisa, desmarcados.

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  1. O momento. Planejar, para o projeto que vai começar, ou olhar o que já aconteceu. Dá para trocar depois sem perder as respostas.
  2. Participação nas etapas. É a base e sempre entra: quem participa de cada etapa, em que papel e com quanto poder de decisão.
  3. Os focos. Cada um acrescenta um passo e alertas próprios. Quem fala por outros e Cuidados servem para quase todo projeto.
  4. Ética e comunicação da pesquisa. Só para pesquisa acadêmica: pergunta sobre comitê de ética, consentimento e monta a ficha de envolvimento de pessoas para o artigo.

Passo 2 de 7

Contar qual é o projeto

Aqui você diz qual é o produto ou serviço e, principalmente, para quem ele é.

Passo Projeto do Espelho. Os campos Produto ou serviço, com Aplicativo de agendamento de consultas da unidade de saúde, e Período previsto, com Próximo semestre. Abaixo, o campo Quem você espera que use o produto, preenchido com um retrato do público. Depois, a lista Para quem é o produto ou serviço, com pessoas cegas, pessoas surdas, pessoas idosas e pessoas de baixa renda marcadas, e o campo Outro público com o botão Adicionar público.

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  1. Produto ou serviço, com o nome que a equipe usa. O período é opcional.
  2. Quem você espera que use, com as suas palavras: quem são, em que contexto usam, com que aparelho e com que apoio.
  3. Para quem é. Marque todos os públicos, inclusive os que não vão participar. É assim que o resultado mostra quem ficou de fora.
  4. Outro público. Quando falta alguém na lista, como pessoas migrantes que não falam português, escreva e adicione.

Assim

“Pessoas idosas, várias com baixa renda, algumas cegas ou surdas. Agendam pelo celular, muitas vezes com ajuda da família, ou ligando para a unidade.”

Assim não

“Cidadãos em geral.”

Passo 3 de 7

Cadastrar os grupos

Cada grupo é um conjunto de pessoas que vai participar de alguma etapa. O exemplo tem seis: pessoas idosas, pessoas cegas, filhas e filhos que agendam pelos pais, a equipe de atendimento, estudantes simulando baixa visão e a coordenação da unidade.

Grupo 3 do passo Pessoas, Filhas e filhos que agendam pelos pais, com 5 pessoas previstas. A relação com o produto está marcada como Pessoas que falam por quem vai usar. Abaixo, Por quem este grupo fala, com Pessoas idosas marcado, Quem são, com Família ou cuidadores, e Proximidade com as pessoas usuárias, com Convive no dia a dia com essas pessoas.

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  1. Nome do grupo. Diga quem são, e não o método: “Filhas e filhos que agendam pelos pais”. O número previsto é opcional.
  2. A relação com o produto. Quem vai usar, quem usa junto, quem fala por quem vai usar, partes interessadas ou quem poderia usar e não usa.
  3. Por quem o grupo fala. Aparece só para quem fala por outras pessoas. As opções são os públicos que você marcou no passo 2.
  4. Proximidade. Convive no dia a dia, atende profissionalmente, conhece por dados ou não tem vínculo. É ela que diz o quanto a fala do grupo se aproxima da realidade.

Separe grupos diferentes, mesmo que participem juntos. Pessoas idosas e os filhos delas são dois grupos, porque falam de lugares diferentes.

Passo 4 de 7

Dizer quem participa de cada etapa

Primeiro, você escolhe o processo que o projeto segue. Depois, em cada etapa, diz quais grupos participam e como.

Passo Etapas do Espelho. Sete modelos de processo: ciclo de políticas públicas, serviço público, design de produtos e serviços, marcado, design centrado no humano da ISO 9241-210, desenvolvimento ágil, pesquisa acadêmica e outro processo. Abaixo, as etapas marcadas: descoberta, definição, ideação, protótipo, avaliação e lançamento, e o campo Outra etapa com o botão Adicionar etapa.

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  1. O processo. Escolha o mais próximo do jeito que a equipe trabalha. Cada modelo diz de onde vêm os nomes das etapas.
  2. As etapas. Desmarque as que não vão acontecer, mesmo que a equipe use outros nomes para elas.
  3. Outra etapa. Crie as que faltarem, como uma audiência pública.

Abaixo da escolha, cada etapa ganha um quadro com os grupos.

Quadro da etapa Descoberta. Pessoas idosas que usam a unidade está marcado, com O que vão fazer em Vão dar opiniões ou informações e O que vai acontecer com o que disserem em Vão responder perguntas ou dar opinião. Abaixo, Pessoas cegas, desmarcado.

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  1. Marque o grupo que participa da etapa. Só os marcados ganham as duas perguntas.
  2. O que vão fazer. De ser observadas usando algo a conduzir o processo.
  3. O que vai acontecer com o que disserem. De ser ouvidas sem compromisso a decidir o rumo.

Assim

“Vão responder perguntas ou dar opinião”, quando a equipe ouve e decide depois.

Assim não

“Vão decidir o rumo”, quando a decisão continua com a coordenação.

Passo 5 de 7

Olhar quem fala por outras pessoas

Este passo aparece com o foco de quem fala por outros. Cada grupo que ocupa o lugar das pessoas usuárias ganha um quadro.

Quadro do grupo Filhas e filhos que agendam pelos pais, que vai participar da descoberta. A pergunta Por que as pessoas usuárias não vão participar no lugar deste grupo, com Não houve tempo de recrutar marcado. Depois, três perguntas de Sim, Em parte ou Não: o conhecimento do grupo vai ser verificado, Sim; o roteiro vai deixar claro por quem o grupo fala, Em parte; os cenários vão combinar com o que o grupo conhece, Sim. Em seguida, As sessões com este grupo vão ser separadas, respondida com Não, e a lista Quando o que o grupo disser será conferido, com Na etapa: avaliação.

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  1. Por que as pessoas usuárias não vão participar no lugar deste grupo. Falta de tempo, de acesso, de equipe, de dinheiro, distância, receio ético ou nenhum motivo.
  2. O conhecimento do grupo vai ser verificado? Sem conferir o que o grupo sabe das pessoas, não dá para saber o quanto confiar no que ele disser.
  3. Sessões separadas. Juntas, quem tem mais poder ou mais fluência tende a falar pela outra pessoa. Se a pessoa precisa de apoio para participar, o apoio fica, mas não responde por ela.
  4. Quando conferir com as pessoas usuárias. Escolha a etapa. Sem isso, o que o grupo disse fica como verdade.

No fim do passo, o quadro Atenção neste passo junta o que pede cuidado, como um grupo previsto na mesma sessão que as pessoas usuárias.

Passo 6 de 7

Combinar os cuidados

Este passo aparece com o foco de cuidados. São sete perguntas sobre o que a equipe vai garantir a quem participar.

Passo Cuidados do Espelho. Perguntas com as opções Sim, Em parte, Não e Não se aplica, cada uma com uma frase que explica por que importa: as pessoas vão concordar sabendo do que se trata, Sim; a explicação e o consentimento vão estar num formato acessível, Em parte; vão saber que podem parar a qualquer momento, Sim; a atividade vai ser acessível, Em parte; os custos de participar vão ser cobertos, Não.

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  1. Consentimento. O consentimento prévio, livre e esclarecido da pessoa com deficiência é indispensável (Estatuto da Pessoa com Deficiência, art. 12).
  2. Formato acessível. Linguagem simples, Libras, leitura fácil ou áudio. Um termo que a pessoa não consegue entender não é consentimento esclarecido.
  3. Custos. Transporte, tempo e internet. Sem isso, participa só quem pode pagar para participar.

“Em parte” vale quando o cuidado existe só para alguns grupos ou em algumas etapas. Cada “Não” e “Em parte” vira um alerta no fim do passo.

Quadro Atenção neste passo, com quatro alertas: consentimento em formato não acessível, em parte; atividade não acessível, em parte; custos de participar não cobertos; e sem devolutiva às pessoas.

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  1. Atenção neste passo. Cada alerta repete a pergunta que o gerou, para você voltar e decidir o que muda.

Passo 7 de 7

Ler o espelho do processo

O resultado começa pelo tipo de participação do público. No exemplo, é consultiva: as pessoas que vão usar vão opinar ou testar, mas decidir pouco.

Topo do Resultado do Espelho. Os botões Copiar o relatório, Imprimir e Baixar a matriz como imagem. Abaixo, o quadro Participação prevista do público: Consultiva, as pessoas que vão usar vão opinar ou testar, mas decidir pouco. Depois, o título O que ajustar antes de começar.

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  1. Copiar, imprimir ou baixar. O relatório vai como texto. A matriz sai como imagem, para levar a uma apresentação.
  2. O tipo de participação. Informativa, consultiva ou participativa, conforme o degrau mais alto que o público alcança.
  3. O que ajustar antes de começar. Quando você planeja, os ajustes vêm primeiro: decisões sem as pessoas, públicos fora do plano, simulação de deficiência, cuidados que faltam.

Mais abaixo vêm a escada e a matriz.

A escada da participação, com uma coluna por etapa: descoberta em consulta, definição em nenhum, ideação em fraco controle, protótipo em nenhum, avaliação em consulta e lançamento em nenhum. Abaixo, a matriz, com os grupos nas linhas e as etapas nas colunas. Em cada célula, o papel e o nível, como Informante, Consulta, ou Parceiro de design, Fraco controle.

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  1. A escada. Em cada etapa, até que degrau as pessoas que vão usar sobem. O nome do degrau está escrito embaixo de cada coluna.
  2. A matriz. Cada linha é um grupo, cada coluna uma etapa. Na célula, o que o grupo faz e quanto decide. A última linha é o degrau do público.

Para ler sem se perder:

  1. Procure as etapas em que o público fica em “Nenhum”. No exemplo, a definição: o problema vai ser escolhido sem as pessoas que vão usar.
  2. Veja quem aparece na matriz só como proxy. Onde só a família ou o balcão falam, as necessidades são supostas.
  3. Leve os Cuidados para conduzir e o Roteiro de ponta a ponta para quem vai recrutar e conduzir as sessões.

Os passos dos outros focos

O exemplo usa dois focos. Os outros três acrescentam um passo cada:

  • Amostra. Para questionário, você informa a margem de erro e o Espelho calcula quantas respostas e quantos convites são precisos. Para entrevistas, testes e grupos focais, mostra referências por perfil, com as fontes.
  • Ética. Começa por uma triagem que diz se a pesquisa precisa passar pelo Comitê de Ética em Pesquisa, citando a Resolução CNS 510/2016. Os campos do fim montam a ficha de envolvimento de pessoas de Carvalho e colegas (IHC 2024).
  • Evidências. Só quando você olha o que já aconteceu. Para cada grupo, diga o que mudou no produto por causa dele. Se nada mudou, a participação desse grupo passa a contar como simbólica.

E depois do resultado?

  • Ajustar o plano. Volte aos passos e mude o que o resultado apontou. O resultado muda junto.
  • Convidar. Para escrever um convite que as pessoas consigam ler e responder, use o Convite acessível.
  • Comparar depois. Quando as etapas acontecerem, abra o mesmo arquivo, troque o momento para “Quero olhar o que já aconteceu” e compare com o que foi planejado.

Erros comuns

  • Marcar só o público que vai participar. O passo 2 pede todos os públicos. É a diferença entre eles que mostra quem ficou de fora.
  • Juntar grupos diferentes. Pessoas idosas e os filhos delas falam de lugares diferentes. Dois grupos.
  • Responder o que a equipe gostaria. “Vão decidir o rumo” só vale se a decisão for mesmo delas.
  • Tratar a simulação como validação. Óculos que embaçam a vista não reproduzem a vida de quem tem baixa visão. Servem, no máximo, para sensibilizar a equipe.

Quando o trabalho é em equipe

Hoje o Espelho da Participação funciona só no site gratuito, no navegador de quem preenche. Ele não está na área logada.

Para fazer em equipe, o caminho é preencher numa reunião, com a tela compartilhada, ou uma pessoa baixar o arquivo e passar para a próxima, que abre no primeiro passo e continua. Cada arquivo é uma cópia: se duas pessoas mexerem ao mesmo tempo, as respostas não se juntam sozinhas. Combine quem fica com o arquivo da vez.

Perguntas frequentes

Preciso fazer tudo de uma vez?

Não. A autoavaliação fica salva no navegador e você continua de onde parou. Para continuar em outro computador, baixe o arquivo e abra lá.

Serve para um projeto que já terminou?

Serve. Escolha “Quero olhar o que já aconteceu” no primeiro passo. As perguntas passam para o passado, e o foco de evidências pergunta o que mudou por causa de cada grupo.

O Espelho diz se a participação foi boa?

Não. Ele não dá nota, porque cada projeto tem limites próprios. Mostra onde as pessoas decidem e onde decidem por elas. O glossário explica os papéis e os níveis.

Um aplicativo para pessoas idosas que nenhuma pessoa idosa ajudou a definir vai ter a cara de quem o fez. O Espelho não resolve isso sozinho, mas deixa a escolha às claras: quem a equipe vai ouvir, quem vai decidir e quem ainda está de fora.

No glossário

Planeje a participação com o Espelho

Carregue o exemplo do aplicativo de consultas para ver como fica, ou comece o plano do seu projeto.

Planejar ou avaliar