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Ramplifica

Glossário

Os termos do Espelho da Participação em linguagem simples: pessoas no processo, papéis, níveis de envolvimento, tipos de participação e cuidados éticos.

Pessoas no processo

Quem pode participar da criação de um produto ou serviço, conforme a relação com ele.

Pessoas que vão usar
As usuárias finais: para quem o produto ou serviço é feito.
Pessoas que usam junto ou em apoio
Usuárias secundárias, como quem acompanha ou ajuda a usar.
Pessoas que falam por quem vai usar
Proxy-users: família, especialistas, suporte ou a equipe no lugar das usuárias.
Partes interessadas
Gestão, órgão responsável, financiadores: decidem, mas não usam.
Pessoas que poderiam usar, mas não usam
Não usuárias: mostram por que o serviço não chega a todo mundo.
Proxy-user
Pessoa que participa no lugar de quem vai usar e fala por ela: família, cuidadores, profissionais que a atendem, especialistas, suporte, gestão ou a própria equipe. Pode ajudar quando o acesso é difícil, mas o que diz é uma hipótese até ser conferido com as pessoas usuárias.
Também chamado de usuário representante ou substituto.
Proximidade do proxy
O quanto o proxy convive com as pessoas por quem fala: no dia a dia, profissionalmente, só por dados ou sem vínculo. Quanto mais distante, maior o risco de a fala dele ser sobre si mesmo.
Simulação de deficiência
Quando alguém sem a deficiência a imita por alguns minutos (com vendas, óculos, fones). Não reproduz a experiência de quem vive com ela e pode esconder ou inventar barreiras; serve, no máximo, para sensibilizar.

Papéis

O que as pessoas fizeram no processo, de menos a mais protagonismo. Classificação de Morais et al., a partir de Druin.

Usuário
Foram observadas usando algo.
Testador
Testaram algo pronto, uma vez.
Informante
Deram opiniões ou informações.
Parceiro de design
Criaram junto, em várias sessões.
Co-pesquisador
Coletaram e analisaram dados da própria realidade.
Protagonista
Conduziram o processo.

Níveis de envolvimento

Quanto poder de decisão as pessoas tiveram, do simbólico ao forte controle. Classificação de Ives e Olson; no Espelho, cada nível é um degrau da escada.

Nenhum
As pessoas não foram convidadas ou não participaram daquela etapa.
Simbólico
Foram ouvidas, mas nada foi usado.
Consulta
Responderam perguntas ou deram opinião.
Fraco controle
Decidiram partes pequenas.
Atividade
Eram parte do time, com responsabilidades.
Forte controle
Decidiram o rumo.
Escada da participação
Em cada etapa, o degrau mais alto que as pessoas usuárias alcançaram. A imagem lembra a escada da participação cidadã de Arnstein, clássica na gestão pública.

Tipos de participação

O retrato geral do processo, a partir da escada. Classificação de Damodaran.

Informativa
As pessoas só deram ou receberam informações, sem efeito nas decisões.
Consultiva
As pessoas opinaram ou testaram algo definido pela equipe, mas decidiram pouco.
Participativa
As pessoas influenciaram decisões na maior parte das etapas do processo.
Participação simbólica
Quando as pessoas participam, mas nada muda por causa delas. No Espelho, um grupo marcado com “nada mudou” conta como simbólico.

Etapas do processo

A equipe escolhe o modelo de processo mais próximo do seu jeito de trabalhar e pode criar etapas próprias. Em cada modelo, algumas etapas pesam mais: as que decidem o problema e para quem, as que avaliam com as pessoas e as que levam o resultado a quem vai usar.

Ciclo de políticas públicas
Do problema público à revisão da política: para programas, políticas e ações de governo. Etapas: identificação do problema; formação da agenda; formulação de alternativas; tomada de decisão; implementação; avaliação; revisão ou extinção. Fases do ciclo de políticas públicas como sistematizadas por Secchi (2013), a partir de Lasswell e de Howlett, Ramesh e Perl (2013). O ciclo é um modelo para organizar a análise: na prática, as fases se misturam e voltam (Jann e Wegrich, 2007).
Serviço público
Do diagnóstico ao atendimento: para criar ou melhorar um serviço, digital ou presencial. Etapas: diagnóstico; desenho do serviço; teste com cidadãos; implantação; atendimento e ouvidoria; avaliação e melhoria. Proposta do Ramplifica a partir dos deveres da Lei do Governo Digital (Lei 14.129/2021: testes com usuários, art. 24, VIII; melhoria a partir da avaliação, art. 24, II) e do Código de Defesa do Usuário do Serviço Público (Lei 13.460/2017: Carta de Serviços, ouvidoria e conselhos de usuários).
Design de produtos e serviços
Diamante Duplo e Design Thinking: entender, definir, criar, testar e lançar. Etapas: descoberta; definição; ideação; protótipo; avaliação; lançamento. Nomes do Diamante Duplo, do Design Council, e do Design Thinking.
Design centrado no humano (ISO 9241-210)
As atividades da norma internacional, repetidas até a solução atender às pessoas. Etapas: planejamento; contexto de uso; requisitos das pessoas; soluções de design; avaliação. Atividades do design centrado no humano da ISO 9241-210:2019, repetidas em ciclos.
Desenvolvimento ágil
Ciclos curtos de entrega, com descoberta e revisão contínuas. Etapas: descoberta do produto; priorização; desenvolvimento em ciclos; revisão com usuários; entrega; acompanhamento. Eventos do Scrum (Schwaber e Sutherland, 2020) e a prática de descoberta contínua de produto.
Pesquisa acadêmica
Da pergunta à devolutiva, com a aprovação ética no caminho. Etapas: pergunta de pesquisa; desenho do estudo; aprovação ética; coleta de dados; análise; publicação; devolutiva. Etapas usuais de uma pesquisa com seres humanos, com a aprovação ética antes da coleta (Resoluções 466/2012 e 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde).

Cuidados e ética

O que protege quem participa. Não substitui a orientação de um Comitê de Ética em Pesquisa nem orientação jurídica.

Consentimento livre e esclarecido
Concordar em participar sabendo do que se trata, sem pressão e podendo desistir. Para a pessoa com deficiência, é indispensável (Estatuto da Pessoa com Deficiência, art. 12) e precisa estar num formato que ela entenda.
TCLE
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido: o documento do consentimento em pesquisas, com a forma definida pelas Resoluções 466/2012 e 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde.
Comitê de Ética em Pesquisa
Colegiado que avalia pesquisas com seres humanos antes de elas começarem, para proteger quem participa. O número do projeto aprovado é o CAAE.
Conhecido pela sigla CEP.
Curatela
Medida legal em que outra pessoa apoia ou representa alguém em certos atos. Mesmo sob curatela, a pessoa deve participar da decisão de consentir no maior grau possível.
TALE
Termo de Assentimento Livre e Esclarecido: a concordância da própria criança, adolescente ou pessoa impedida de consentir sozinha, numa linguagem adequada à compreensão dela. Não dispensa o TCLE dos responsáveis (Resolução CNS 510/2016, art. 2º, I).
Parecer e CAAE
O CAAE é o número do projeto na Plataforma Brasil; o parecer é a decisão do CEP. Informar um dos dois na publicação permite conferir a aprovação.
Dispensa de CEP
Os casos que a Resolução CNS 510/2016 (art. 1º, parágrafo único) não registra nem avalia, como revisão de literatura ou pesquisa de opinião pública com participantes não identificados. É exceção e precisa citar o inciso. Atividade de ensino que vira pesquisa precisa ir ao CEP.
Juiz especialista
Pessoa com experiência comprovada que dá apoio técnico à pesquisa, fora da análise dos fenômenos estudados. Enquanto for assim, não é participante; se o que diz é analisado, passa a ser.
Envolvimento ativo, passivo, direto e indireto
Ativo: a pessoa sabe que participa. Passivo: seus dados ou gravações são usados sem participação direta. Direto: o que ela faz é o objeto da pesquisa. Indireto: ela apoia o estudo, como cuidadores ou anotadores de dados.
Ficha de envolvimento de pessoas
Arcabouço textual de 17 itens, proposto por Carvalho, Rodrigues, Santoro e Oliveira (IHC 2024), para comunicar num lugar só quem participou de uma pesquisa, quantas pessoas, como e com que cuidados éticos.
Devolutiva
Levar os resultados de volta a quem participou, num formato acessível: o que foi feito com o que disseram. Evita estigmatizar o grupo e confere se a análise corresponde à realidade dele.
Sessões separadas
Ouvir proxies (família, cuidadores, profissionais) em sessões diferentes das sessões com as pessoas usuárias. Juntas, quem tem mais poder ou fluência tende a responder pela outra pessoa. O apoio de que a pessoa precisa para participar, como intérprete, fica, mas não responde por ela.

Amostra

Quantas pessoas ouvir e quem escolher. Os números são referências para planejar, com a fonte de cada um.

População e amostra
A população é todo o público de quem a pesquisa quer falar; a amostra é a parte dele que de fato participa. Antes do número, defina a população e os critérios para entrar e para não entrar.
Margem de erro
Quanto o resultado de um questionário pode variar só pelo acaso de quem respondeu. Com 60% de “sim” e margem de 5 pontos, o valor na população deve estar entre 55% e 65%. Reduzir a margem pela metade exige cerca de quatro vezes mais respostas.
Nível de confiança
Com que frequência o intervalo dado pela margem de erro acerta o valor real, se a pesquisa fosse repetida muitas vezes. O padrão é 95%.
Amostra probabilística
Amostra em que todas as pessoas da população tinham chance conhecida de ser escolhidas, por exemplo por sorteio a partir de um cadastro. É o que permite usar a margem de erro para falar da população.
Amostra por conveniência
Amostra de quem aceitou responder: link aberto, redes sociais, quem estava por perto. É útil, mas a margem de erro não garante que o resultado vale para a população, porque quem respondeu pode ser diferente de quem não respondeu.
Taxa de resposta
A parte dos convidados que de fato responde. Serve para calcular quantos convites são precisos para chegar à amostra.
Amostragem intencional
Escolher de propósito pessoas que tragam informação rica sobre o que se quer entender, como pessoas bem diferentes entre si ou quem enfrenta mais barreiras. É a forma usual de amostra na pesquisa qualitativa.
Saturação
Momento em que novas entrevistas ou sessões param de trazer temas novos. Ajuda a decidir quando parar, mas nem sempre é o critério adequado; o importante é registrar como se decidiu.
Poder da informação
Ideia de que a amostra qualitativa pode ser menor quando o objetivo é estreito, as pessoas são específicas para ele, há teoria de apoio, as conversas são ricas e a análise é aprofundada.