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O que as pessoas escrevem sobre o serviço, em cinco etapas: o Marca-texto dos Comentários

As cinco etapas do Marca-texto dos Comentários, com seis comentários inventados sobre um aplicativo de agendamento de consultas. Do contexto ao relatório, o que preencher e por quê.

Marca-texto dos Comentários

· 8 min de leitura

Por Erik Henrique da Costa Nunes

Na loja de aplicativos, alguém escreve que a letra é pequena demais e o botão de confirmar some atrás do teclado. Outra pessoa conta que a mãe é cega e o leitor de tela não lê os horários. No meio de dezenas de notas e reclamações genéricas, esses dois comentários dizem exatamente onde o aplicativo deixa gente de fora.

O Marca-texto dos Comentários ajuda a não perder esses comentários. Ele segue o MALTU, de Marília Soares Mendes (2015), um modelo para avaliar a interação a partir do que as pessoas escrevem. Neste guia, mostro cada etapa com um exemplo pequeno e explico por que ela existe. Se quiser ler sobre o método antes, veja como o Marca-texto dos Comentários funciona.

Antes de começar

Quanto tempo
Depende de quantos comentários há. A classificação é à mão, um comentário por vez. Dá para parar e continuar depois.
O que ter em mãos
Os comentários: ouvidoria, loja de aplicativos, redes sociais, e-mails do suporte ou respostas abertas de um formulário. Em texto, para colar, ou num arquivo .txt ou .csv.
Com quem
Com alguém que conhece o serviço. Para saber que “a agenda” é uma funcionalidade, e não um comentário solto, é preciso conhecer o serviço.
Onde fica salvo
Só neste navegador. Para guardar uma cópia, continuar em outro computador ou passar para outra pessoa, baixe o arquivo.

Etapa 1 de 5

Dizer o que você vai avaliar

O Contexto descreve o serviço, quem usa e o que a avaliação quer saber.

Etapa Contexto do Marca-texto dos Comentários. Os campos Serviço avaliado, preenchido com Aplicativo de agendamento de consultas da prefeitura, Quem usa, Por onde as pessoas usam, preenchido com Aplicativo de celular, e Em que situação, vazio. Abaixo, quatro objetivos, com Problemas no uso marcado, e o campo Termos do serviço, com agenda, agendar, login e senha, um por linha.

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  1. Serviço avaliado. O nome que vai no título do relatório.
  2. Quem usa. Idade, formação, há quanto tempo usa, se há pessoas com deficiência entre quem usa. Os campos Por onde e Em que situação completam o contexto.
  3. O que a avaliação quer saber. Como as pessoas usam o serviço no dia a dia, problemas no uso, satisfação ou o que mudar. Os resultados mostram os cruzamentos que respondem a cada objetivo marcado.
  4. Termos do serviço. Um por linha, do jeito que as pessoas escrevem: o nome do serviço, apelidos e as funcionalidades principais. Eles ficam marcados nos comentários.

Assim

Termos: “agenda”, “agendar”, “login”, “senha”, “consulta”.

Assim não

Termos: “Módulo de Agendamento Eletrônico”, como está no contrato.

Etapa 2 de 5

Juntar os comentários e separar os que falam do uso

Na etapa Comentários, você traz o que as pessoas escreveram.

Quadro Acrescentar comentários. O campo Cole os comentários tem seis comentários, um por linha. Abaixo, a escolha Como separar, com Um comentário por linha marcado, o campo De onde vieram, preenchido com Loja de aplicativos, a caixa Esconder e-mails, telefones e perfis, marcada, e os botões Acrescentar e Abrir arquivo .txt ou .csv.

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  1. Cole os comentários, ou use Abrir arquivo .txt ou .csv.
  2. Como separar. Um comentário por linha ou separados por linha em branco, para comentários com mais de um parágrafo.
  3. De onde vieram. Opcional. Vale para os próximos que você acrescentar, como “Ouvidoria”.
  4. Esconder e-mails, telefones e perfis. A análise não precisa saber quem escreveu. Nomes a ferramenta não acha: confira e apague à mão.

Depois de acrescentar, a ferramenta pergunta, comentário por comentário, se ele fala do uso do serviço. Os termos do Contexto aparecem marcados no texto, para ajudar a decidir.

Quadro Falam do uso do serviço? com a contagem 6 comentários: 5 falam do uso, 1 não, 0 sem resposta. O filtro Mostrar tem Todos, Sem resposta, Falam do uso e Não falam. Os comentários 1, 2 e 3 estão com Sim marcado, com as palavras login, senha, agenda e consulta destacadas. O comentário 4, Prefeitura nunca resolve nada, um absurdo, está com Não.

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  1. Mostrar. Filtre os que ainda estão sem resposta para não pular nenhum.
  2. Sim. O comentário conta como foi usar, mesmo sem detalhes: “não consigo entrar”.
  3. Não. O comentário fala de outra coisa. Ele não segue para a classificação.

Assim

“Não consigo entrar, o login pede uma senha que nunca recebi por e-mail.” Fala do uso.

Assim não

“Prefeitura nunca resolve nada, um absurdo.” Marcado como se falasse do uso.

Etapa 3 de 5

Classificar um comentário por vez

Classificar mostra um comentário por vez, só os que falam do uso. O tipo é o mínimo; o resto você preenche quando o comentário diz.

Comentário 5 de 5, classificado: Minha mãe é cega e o leitor de tela não lê os horários da agenda, com horário e agenda destacados. Abaixo, os botões Anterior e Próximo, o grupo Tipo com Crítica marcado, o grupo Intenção com Comportamental marcado e o grupo Sentimento com Negativo marcado.

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  1. O comentário, com os termos do serviço marcados e o número dele na lista.
  2. Tipo. Crítica, elogio, dúvida, comparação, sugestão ou ajuda.
  3. Intenção. Visceral (no impulso, sem detalhes), comportamental (conta o que aconteceu no uso) ou reflexiva (pensa no valor do serviço). Ajuda a saber se o comentário diz mais da usabilidade ou da experiência.
  4. Sentimento. Positivo, neutro ou negativo.
Parte de baixo do mesmo comentário. O campo Funcionalidade, preenchido com agenda. Em Qualidade de uso, o grupo Usabilidade com Eficácia marcada e o grupo Experiência sem nada marcado. O campo Dispositivo vazio. No quadro Quem fica de fora, a caixa Relata uma barreira de acessibilidade marcada e o campo Grupo de quem escreveu vazio.

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  1. Funcionalidade. A parte do serviço de que o comentário fala. Os nomes que você já usou aparecem como sugestão, para não virar “agenda” num e “calendário” no outro.
  2. Qualidade de uso. As metas de usabilidade e de experiência que o comentário toca. Marque quantas fizerem sentido, ou nenhuma.
  3. Relata uma barreira de acessibilidade. Algo que atrapalha por causa de deficiência, idade, leitura ou conexão.
  4. Grupo de quem escreveu. Só se o próprio comentário disser. Aqui, quem escreveu fala da mãe: o grupo fica em branco.

Etapa 4 de 5

Ler os resultados

Os Resultados contam quantos comentários receberam cada classificação. O primeiro quadro é sempre o de quem fica de fora.

Quadro Quem fica de fora. Em destaque, 2 comentários relatam barreira de acessibilidade. A tabela Barreiras de acessibilidade por funcionalidade tem agenda com 1 e agendamento com 1. Abaixo, Quem reclama de quê diz que nenhum comentário diz o grupo de quem escreveu, e a lista Os comentários com barreira traz os dois comentários, cada um com a funcionalidade entre parênteses.

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  1. Quantos relatam barreira. O número vem primeiro para essas críticas não sumirem no meio das outras.
  2. Barreiras por funcionalidade. Onde elas se concentram.
  3. Os comentários com barreira, inteiros, com a funcionalidade. É daqui que sai a citação para o relatório.

Depois vêm os cruzamentos de cada objetivo marcado no Contexto. Sem objetivo marcado, aparecem os de todos.

Quadro Para responder: Problemas no uso. A tabela Metas de usabilidade por funcionalidade tem Eficácia em agenda, agendamento e login, Eficiência em agendamento e Utilidade em lembrete, um comentário cada. Abaixo, Críticas por funcionalidade, Dúvidas por funcionalidade, sem comentários, e Metas de experiência por funcionalidade.

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  1. Para responder, com o nome do objetivo. Cada objetivo traz as tabelas que o respondem.
  2. Metas por funcionalidade. Que parte do serviço falha em quê: no exemplo, a eficácia falha no login, na agenda e no agendamento.

Etapa 5 de 5

Montar o relatório

O Relatório junta tudo num texto simples, no roteiro do MALTU.

Etapa Relatório. O campo Quem avaliou, preenchido com Duas pessoas da equipe de atendimento, que conhecem o aplicativo. Abaixo, o quadro Relatório com o texto da avaliação: o serviço, o método, o contexto de uso, com a situação ainda entre colchetes, os objetivos, como os comentários foram juntados e quem avaliou. Embaixo, os botões Copiar o relatório, Baixar em texto e Baixar as classificações em .csv.

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  1. Quem avaliou. Quantas pessoas separaram e classificaram os comentários e a experiência delas. Ajuda quem lê a confiar na análise.
  2. O relatório. O que está entre colchetes ainda falta escrever. No exemplo, a situação de uso ficou em branco no Contexto.
  3. Copiar o relatório ou baixar em texto. Baixar as classificações (.csv) dá uma linha por comentário, para abrir numa planilha.

E depois do relatório?

  • Inspecionar o serviço. Os problemas que apareceram viram pontos para olhar com a Lupa das Boas Práticas.
  • Olhar o que o serviço diz. Se as críticas são sobre mensagens que ninguém entende, o Mapa da Comunicação ajuda a ver onde a conversa se perde.
  • Corrigir as barreiras. Para cada barreira de acessibilidade, a Bússola da NBR 17060 diz o que a norma pede.

Erros comuns

  • Pular o Contexto. Sem os termos do serviço, fica mais difícil ver quem fala do uso. Sem objetivo, os resultados mostram tudo de uma vez.
  • Dizer que fala do uso porque o comentário é negativo. Raiva da prefeitura não é problema de uso do aplicativo.
  • Nomes diferentes para a mesma funcionalidade. Use as sugestões do campo para manter “agendamento” em todos.
  • Adivinhar o grupo de quem escreveu. Só preencha quando o comentário disser.
  • Mostrar o relatório sem conferir os nomes. A ferramenta esconde e-mails, telefones e perfis, mas não acha nomes.

Quando o trabalho é em equipe

O Marca-texto dos Comentários não está na área logada. Hoje, para trabalhar em equipe, uma pessoa baixa o arquivo da análise e passa para a outra, que abre com Abrir arquivo salvo. Cada arquivo é uma cópia: duas pessoas classificando ao mesmo tempo terminam com duas análises separadas.

Um jeito que funciona é dividir as etapas: uma pessoa monta o Contexto e separa os comentários, outra classifica, e as duas revisam juntas os resultados. O campo Quem avaliou, no relatório, é o lugar de contar como a equipe se dividiu.

Perguntas frequentes

A ferramenta classifica sozinha?

Não. A classificação é feita à mão, por quem conhece o serviço. A ferramenta organiza, marca os termos e conta.

Os comentários vão para algum servidor?

Não. Tudo fica neste navegador. Para guardar uma cópia, baixe o arquivo da análise.

Posso usar as respostas abertas de um formulário?

Pode. Abra o .csv das respostas na etapa Comentários. Se as respostas forem longas, como relatos, o Marca-texto dos Relatos é melhor para codificar.

Preciso conhecer o MALTU?

Não. Cada campo explica o que significa. A página Como funciona conta de onde vem o método.

Dois comentários entre seis falavam de pessoas que o aplicativo deixava de fora. Numa planilha de notas, eles seriam uma estrela a menos. Classificados, viram uma linha no relatório com a funcionalidade, a citação e o que precisa mudar.

Classifique os comentários do seu serviço

Cole o que as pessoas escreveram na ouvidoria, na loja de aplicativos ou num formulário e comece pelo contexto.

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