Antes de desenhar o agendamento on-line da prefeitura, a equipe abre o de outras cidades, um aplicativo de clínica e o site de um banco. É um bom instinto. O problema é olhar sem combinar antes o que procurar: cada pessoa repara numa coisa, e a conversa termina em “gostei daquele”.
O Radar dos Similares organiza essa olhada como uma pequena revisão: um protocolo escrito antes, uma lista do que foi encontrado, uma seleção com motivos e uma matriz que compara todos nos mesmos critérios. Neste guia, mostro cada etapa com o exemplo da própria ferramenta. Os nomes e endereços dos similares são inventados.
Antes de começar
- Quanto tempo
- Uma tarde para o protocolo e a lista. A matriz depende de quantos similares e critérios: cinco similares em dez critérios cabem num dia de trabalho. Dá para parar e voltar quando quiser.
- O que ter em mãos
- O que você está desenhando, em uma frase, e um tempo para procurar similares nos lugares que o protocolo escolher.
- Com quem
- Dá para fazer sem companhia. Duas pessoas avaliando os mesmos similares discordam menos do que parece, e as discordâncias mostram critérios mal explicados.
- Onde fica salvo
- No seu navegador, neste computador. Nada vai para um servidor. Baixe o arquivo da análise com frequência para não perdê-la.
Etapa 1 de 6
Escrever o protocolo
O protocolo começa pelo título, por quem faz a análise e pelo objetivo. Comece o objetivo com um verbo e diga para que serve a comparação: comparar, para decidir; mapear, para conhecer; identificar, para não repetir. Depois, diga o que você está desenhando e que tipo de similar interessa.

- Produto ou serviço. O ponto de partida: cada similar vai ser olhado pensando no seu projeto.
- Para quem, incluindo quem costuma ficar de fora. É opcional, mas muda o que você repara em cada similar.
- Tipos de similares. Diretos fazem o mesmo em outro lugar. Indiretos resolvem o mesmo problema de outro jeito. Referências são de outra área, mas fazem bem algo que você quer fazer.
Em seguida vêm Onde procurar (buscadores, portais de governo, lojas de aplicativos, indicações e outros lugares), os critérios de seleção, que dizem quem entra e quem fica de fora, e os critérios de comparação, que viram as linhas da matriz. Sem ideia por onde começar, o botão Acrescentar sugestões traz critérios que servem a quase todo serviço digital.

- O que comparar. Algo que dá para conferir abrindo o similar.
- O grupo: conteúdo, funcionalidades, usabilidade, acessibilidade, linguagem, atendimento, aparência ou outra.
- Como responder. Tem ou não tem, para recursos; nota de 1 a 5, para qualidade; anotação, para descrever o que você viu.
- Como avaliar. Nos critérios com nota, diga o que vale 1 e o que vale 5. Assim, duas pessoas dão a mesma nota ao mesmo similar.
Assim
“Dá para acompanhar o andamento do pedido”, respondido com tem, tem em parte ou não tem.
Assim não
“Boa experiência”, sem dizer o que conta como boa.
Etapa 2 de 6
Listar os similares
Procure nos lugares do protocolo e anote cada similar que encontrar, mesmo os que talvez não entrem. A escolha vem na etapa seguinte.

- Acrescentar similar, um por vez, ou Colar uma lista com um por linha: o nome e o endereço.
- Nome e endereço. Quem ler o relatório precisa conseguir abrir e conferir.
- Tipo e onde encontrou. Direto, indireto ou referência, e o lugar do protocolo onde você achou.
- Anotação. A primeira impressão ao abrir. A avaliação de verdade fica para a matriz.
Etapa 3 de 6
Escolher quais entram
No topo da etapa, os critérios de seleção do protocolo ficam à vista. Um similar entra quando atende a todos os de inclusão e a nenhum de exclusão. Para mudar os critérios, volte ao protocolo.

- Abra o similar antes de decidir. O nome e a anotação ajudam, mas quem decide é o que você vê funcionando.
- A decisão. Incluir, Excluir ou Em dúvida, para voltar depois.
- Por que fica de fora. Ao excluir, marque ao menos um critério. O relatório mostra quantos saíram e por quê.
Etapa 4 de 6
Comparar critério por critério
A matriz mostra um similar por vez, com todos os critérios do protocolo, na ordem. Avalie com o similar aberto em outra aba.

- A resposta, no formato que o critério pede: aqui, tem, tem em parte ou não tem.
- O que você viu. Anote sobretudo quando marcar “tem em parte” ou uma nota do meio. É o que explica a resposta depois.
- A nota de 1 a 5, com o “como avaliar” do protocolo logo acima, para lembrar o que vale cada ponta.
Ao terminar um similar, marque Terminei de avaliar este similar e siga para o próximo. Embaixo, a matriz inteira vai se formando.

A matriz junta os similares lado a lado. Cada célula diz a resposta por escrito; a cor só reforça.
Etapa 5 de 6
Ver padrões e lacunas
Os resultados classificam cada critério pelo que a matriz mostra. Nos critérios com nota, fazer bem é tirar 4 ou 5. No exemplo, todos falham em Libras e só um mostra em que fase está o pedido.

- A visão geral: quantos padrões, diferenciais e lacunas a matriz mostrou.
- O que quase todos fazem. É o mínimo que quem usa já espera encontrar.
- O que poucos fazem bem. Os similares que fazem são boas referências para estudar de perto.
Depois vêm Onde todos falham, as lacunas, e Onde os similares se dividem. Os critérios de anotação aparecem com o que foi visto em cada similar, e as tabelas saem prontas para copiar em LaTeX, Word ou Markdown, com a matriz em CSV ou planilha do Excel.
No fim, você escreve as oportunidades para o seu projeto. O Radar sugere começar pelas lacunas.

As oportunidades são a conclusão da análise e vão no relatório. Cite os critérios que sustentam cada uma.
Assim
“C8: oferecer as instruções do agendamento em Libras. Nenhum similar faz.”
Assim não
“Fazer um agendamento melhor que os outros.”
Etapa 6 de 6
Baixar o relatório
A última etapa conta o caminho em números e junta tudo num documento só.

- Do que foi encontrado à matriz. Quantos similares entraram e saíram em cada etapa, e por quê. Os números mudam sozinhos quando você muda uma decisão.
- O relatório final, com o protocolo, os similares encontrados, os excluídos, a matriz, os resultados e as oportunidades. Salve em PDF ou baixe em Markdown para colar no seu texto.
Se faltar algo, como uma decisão ou as oportunidades, o relatório avisa antes. Dá para baixar mesmo assim.
E depois do resultado?
- Levar à equipe. Mande o PDF antes da reunião de ideias, com as oportunidades no fim.
- Avaliar o seu próprio serviço. Quando houver um protótipo, a Lupa das Boas Práticas olha o seu serviço com heurísticas, e as Bússolas dizem o que as normas e as leis pedem.
- Repetir. Similares mudam. Guarde o arquivo da análise: ele abre de novo no Radar dos Similares, para refazer a matriz depois.
Erros comuns
- Só concorrentes diretos. Eles mostram o que é comum, não o que é possível. Inclua referências de outras áreas.
- Critérios escritos depois de abrir os similares. A matriz vira uma lista do que você já gostou.
- Nota sem régua. Sem dizer o que vale 1 e o que vale 5, cada pessoa usa a sua.
- Avaliar sem abrir. A anotação da lista é a primeira impressão. A matriz pede o similar aberto, critério por critério.
- Oportunidades vagas. Escreva como decisões para o projeto, citando os critérios.
Quando o trabalho é em equipe
No site gratuito, a análise fica no navegador de quem preenche. Para fazer em grupo, uma pessoa compartilha a tela, ou baixa o arquivo da análise e passa para a próxima. Cada arquivo é uma cópia: as respostas não se juntam sozinhas.
Na área logada, que está em teste e por convite, a análise fica num projeto, na nuvem, ao lado das outras avaliações do mesmo serviço. A equipe do projeto vê a análise: quem tem o papel de edição pode mexer nela, e quem tem o papel de leitura só acompanha.
O Radar dos Similares não tem, hoje, um modo próprio de equipe. Não há divisão dos similares entre as pessoas nem avaliação em dupla com comparação, como no Radar da Literatura. A matriz é uma só. Para conferir a régua dos critérios, combine que duas pessoas avaliam um mesmo similar e conversem sobre as diferenças antes de seguir.
Perguntas frequentes
Quantos similares devo comparar?
Não há número certo. Liste todos os que encontrar e deixe a seleção decidir. Cinco a dez na matriz costumam bastar para ver padrões, sem virar um trabalho sem fim.
Preciso fazer tudo de uma vez?
Não. A análise fica guardada no navegador e você continua de onde parou. Para continuar em outro computador, baixe o arquivo e abra em Minhas análises.
Posso usar num trabalho acadêmico?
Pode, e não precisa pedir licença. As tabelas saem em LaTeX, e a etapa Relatório traz uma sugestão de texto para os agradecimentos, se quiser contar que usou o Radar.
Olhar os parecidos é um atalho para não começar do zero. Com critérios escritos antes, o atalho deixa de ser “gostei daquele” e vira uma decisão que a equipe consegue explicar.
Compare os parecidos com o seu serviço
Comece uma análise, carregue o protocolo e os similares de exemplo e veja como fica.